Juiz diz que espera que aumento de pena para Mizael por causa de "mentira" sirva de lição
Ele afirmou ainda que se emocionou porque “um peso saiu de suas costas”
São Paulo|Vanessa Beltrão, do R7

O juiz Leandro Bittencourt Cano comentou, na noite desta quinta-feira (14), sobre o julgamento de Mizael Bispo, condenado a 20 anos de prisão pela morte de Mércia Nakashima. Questionado se o fato do magistrado ter aumentado a pena do réu por ele ter "mentido" possa servir de lição para os advogados, o juiz disse que espera que sim.
Durante o interrogatório de Mizael, o juiz questionou ao acusado se todas as afirmações dele eram verdadeiras. O réu respondeu que sim.
— A constituição fala que o réu não precisa mentir. Se ele quiser, permanece calado. Agora se ele mentir, na verdade ele está querendo colocar algo no processo para enganar uma autoridade. E isso não é ideal na minha visão.
O júri considerou Mizael culpado pelo crime de homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
— Tudo que eu coloquei na dosimetria [da pena], eu assino embaixo. Eu sou uma pessoa que não tem medo de colocar no papel o que penso.
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Juiz se emociona durante leitura de sentença
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No fim da leitura da sentença, o juiz também se emocionou. Com a voz embargada, ele agradeceu aos defensores, aos advogados, jurados e todos os presentes no plenário.
— É um peso que saiu das minhas costas. Foram mais de 15 reuniões com o Ministério Público, representantes da imprensa e da defesa.
Julgamento
Mizael foi considerado culpado pelo crime de homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Durante a leitura da sentença, o juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano destacou que o fato de o réu ter mentido foi considerado um agravante. Cano afirmou ainda que "gestos de amor jamais podem levar a pessoa amada à morte".
Emocionados, os familiares de Mércia ouviram a sentença de mãos dadas. Ao fim da leitura, o juiz também se emocionou. Com a voz embargada, ele agradeceu aos defensores, aos advogados, aos jurados e a todos os presentes no plenário.
Sete jurados — cinco mulheres e dois homens – decidiram o destino de Mizael durante o júri popular que começou na segunda-feira (11), no Fórum Criminal de Guarulhos, Grande São Paulo. Ao todo, foram ouvidas nove testemunhas — cinco da acusação, três da defesa e uma do juízo. Inicialmente, estavam previstas 11, mas duas foram dispensadas pelos advogados do réu.













