Julgamento de vigia acusado de participação na morte de Mércia Nakashima deve terminar nesta quarta-feira

Terceiro dia de júri começará com debates entre acusação e defesa

O terceiro dia do julgamento do vigia Evandro Bezerra da Silva, 41 anos, acusado de participação na morte da advogada Mércia Nakashima, está marcado para começar às 10h desta quarta-feira (31), no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. De acordo com a assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), os trabalhos serão retomados com os debates entre acusação e defesa. A expectativa é de que o júri termine no mesmo dia.

Serão concedidas duas horas para cada uma das partes. Se a promotoria decidir pela réplica, a defesa terá direito a tréplica. Cada lado terá uma hora para argumentações.

Ao final, os jurados se reúnem em uma sala secreta para decidir se Bezerra é inocente ou não. Depois da votação dos quesitos, a juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira estipulará a pena do réu e dará sua sentença final, em caso de condenação.

Bezerra é julgado por homicídio duplamente qualificado (meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima). O crime aconteceu em maio de 2010.

Segundo dia

O segundo dia de julgamento terminou por volta das 20h20 desta terça-feira (30), com o encerramento do interrogatório do réu, que durou cerca de duas horas. Sete testemunhas foram ouvidas: uma de acusação, quatro de defesa e duas do juízo. Márcio Nakashima, irmão da vítima, foi um dos que prestaram depoimento. Ele respondeu a perguntas da juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira e da defesa do vigia. A pedido de Márcio, o réu foi retirado do plenário.

De acordo com o Ministério Público, Evandro Bezerra nega envolvimento na morte de Mércia e sustenta que apenas buscou o policial reformado Mizael Bispo na represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, no dia do assassinato da advogada. Foi neste local que bombeiros encontraram o carro e, um dia depois, o corpo de Mércia. A promotoria vai tentar mostrar aos jurados que o vigia “tinha ciência prévia do que iria acontecer”.

Em março deste ano, Mizael, que era ex-namorado da vítima, foi condenado a 20 anos de prisão pelo crime.

Primeiro dia

Durante quase dez horas, o primeiro dia do júri teve depoimentos, perguntas e discussões. A defesa, que prometia uma bomba capaz de mudar o rumo do julgamento, colocou em dúvida a data da morte de Mércia Nakashima, detalhe que poderia até livrar Evandro Bezerra da Silva das acusações.

Um homem diz ter visto Mizael Bispo e Mércia juntos em 26 de maio de 2010, três dias depois da data em que as investigações apontam que ela foi morta. Mas essa testemunha crucial não apareceu e a defesa tentou adiar os trabalhos. O impasse resultou em quase duas horas de atraso para o início do júri.

Família de Mércia Nakashima está ansiosa, mas confiante na condenação de vigia

Um dos depoimentos foi de um engenheiro de telecomunicações. Eduardo Amato Tolezani explicou como funcionam as antenas de telefonia celular que captaram as ligações entre Evandro e Mizael no dia do assassinato. O técnico falou que esses registros podem ter erros. A informação foi usada pela defesa para tentar enfraquecer a acusação.

Um advogado da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que acompanhou o interrogatório de Evandro, também depôs e falou que não houve violência contra o réu. O vigia alega que confessou ter participado do assassinato após sofrer tortura.

A sessão terminou com desentendimentos entre advogados e o delegado que investigou o assassinato. A defesa questionou Antônio de Olim sobre informações e testemunhas que não foram apuradas e que poderiam ter dado outro rumo para o inquérito.

A juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira chegou a chamar a atenção do delegado, que foi irônico em alguns comentários. Enquanto isso, Evandro não esboçou reação. Apenas escutou os depoimentos. Ele nega ter participado do crime. 

Os parentes de Mércia acompanharam o julgamento. A mãe dela, Janete Nakashima, diz temer que Evandro receba uma pena ainda menor que a de Mizael.

— Vinte anos é ridículo pra quem vai daqui quatro, cinco, seis anos, não sei, ele pode estar na rua e fazendo tudo novamente.