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Jurados se reúnem para definir sentença dos réus no júri do massacre do Carandiru

Em tréplica, defesa mostrou matérias de crime e diz que é preciso individualizar as acusações

São Paulo|Julia Carolina, do R7

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Por volta das 23h, os jurados do caso massacre do Carandiru se reuniram para definir a sentença dos 25 policiais militares acusados de 73 mortes do 3º pavimento (2º andar) na Casa de Detenção. A advogada Ieda Ribeiro de Souza, que defende os 25 réus, aproveitou a tréplica para mostrar vídeos de crimes e mortes de PMs no Estado de São Paulo

Por diversas vezes, ela afirmou que o processo não foi arquivado porque as pessoas não tiveram “coragem” e disse que a "entrada da PM era necessária, tinha a ordem do governador, do secretário de Segurança Pública e do coronel Ubiratan. Ela disse ainda que é preciso individualizar as acusações.


— Como pode o Edson, que disparou um tiro, ser responsabilizado por 73 mortes?

Ela ainda disse "faltou coragem" para dizer a ONU (Organização das Nações Unidas (ONU) que não se pode intervir em questões nacionais.


— Ninguém teve coragem de dizer para a ONU: "vai te catar".

Em diferentes momentos, a defesa e a acusação bateram boca no plenário. Um deles foi quando a advogada comentou os 300 casos de resistência seguida de morte que os PMs respondem. Ela afirmou aos jurados que quando um policial pede para uma pessoas parar, "homens de bem não fogem".


— Homem de bem não faz isso (fugir). Quem faz isso é quem tem algo a esconder.

A diminuição do número de detentos mortos pelos PMs da Rota — de 73 para 52 —, a pedido do promotor Fernando Pereira, voltou a ser alvo de críticas de Ieda. Ela debochou da diminuição e afirmou que o Ministério Público “não tem certeza” de quem foram os responsáveis pelas mortes.


— Cada hora é um. Quero saber quem vai responder por essas 21 mortes?

Questionado pela defesa sobre o corpo sem cabeça, citado por Valter Alves de Mendonçaela disse que o coronel tem "40 anos de profissão" e que "ela também poderia confundir um caso com outro".

Vídeos de crime

Em mais uma exibição de vídeo, Ieda mostrou dezenas de matérias sobre crimes no Estado de São Paulo. Entre eles, estavam a morte de policiais militares, o caso da dentista queimada em São Bernando do Campo e a morte do menino bolivino.

Os vídeos causaram uma nova briga entre promotoria — que quis saber o que eles tinham a ver com o caso do Carandiru — e a defesa. Em certo momento, o promotor gritou "só falta dizer que bandido bom é bandido morto".

Sentença dos réus

Os jurados que atuam no julgamento terão de responder a 7.300 perguntas antes de decidirem o futuro dos réus. As questões vão atender quatro critérios — materialidade, autoria, absolvição e ações qualificadoras — e vão levar em conta as 73 vítimas.

Entenda o caso

Em 2 de outubro de 1992, uma discussão entre dois presos deflagrou uma rebelião no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, zona norte da capital. A Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo então coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta. Era o início de um dos episódios mais sangrentos do sistema prisional do País.

A intervenção policial, que resultou na morte de 111 detentos, segundo balanço oficial, ficou marcada na história como “massacre do Carandiru”.

Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário para conter a rebelião, destes, 84 foram acusados de homicídio.

Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a maioria foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.

Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.

Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém, um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

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