Logo R7.com
RecordPlus

Justiça ameniza pena de idosa acusada de chamar negros de "imundos" e "macacos"

Indenização foi afastada do processo criminal; vítimas irão recorrer na esfera cível

São Paulo|Caroline Apple, do R7

  • Google News
Imagem da época em que a idosa chamou um morador de rua tetraplégico de "lixo" e "macaco" porque estava no seu caminho
Imagem da época em que a idosa chamou um morador de rua tetraplégico de "lixo" e "macaco" porque estava no seu caminho

A Justiça determinou que Davina Apparecida Castelli, de 75 anos, acusada por crime de racismo, em 2012, irá cumprir os quatro anos de prisão em regime aberto e afastou do processo criminal a obrigação da ré de pagar R$ 28.960 para cada uma das três vítimas de seus insultos.

Em 2014, a aposentada havia sido condenada a quatro anos de prisão em regime semiaberto e e ao pagamento de indenização por chamar a corretora Karina Chiaretti, de 35 anos, de "macaca, negra imunda, favelada" dentro de uma farmácia em um shopping da avenida Paulista, região central de São Paulo. Outras duas pessoas, que tentaram defender Karina, também foram insultadas e abriram um boletim de ocorrência contra a idosa.


Quanto ao afastamento da indenização do processo criminal, Karina e as outras vítimas não têm dúvidas, vão recorrer.

— Sabe aquela velha história? Tem que doer no bolso.


Quanto à alteração do regime de prisão, Karina se mostra resignada.

— Foi decido assim por causa da idade dela.


Garoto sofre racismo em frente a loja na Oscar Freire: "Era uma questão de tempo", diz pai

Mesmo lutando pelos seus direitos na Justiça, Karina, que estava com a filha no dia das agressões, ainda guarda as lembranças da idosa a ofendendo aos berros. Nos autos, consta que Davina também disse às vítimas que "negros deveriam ser proibidos de frequentar shopping center". Indagada pelo R7 sobre o que sentia em relação à idosa, Karina respondeu com uma pergunta.


— Você tem filhos? Ela fez minha filha [na época com oito anos] chorar de tão assustada que ela ficou.

Francisco Pereira de Queiroz, um dos advogados das vítimas, afirma que não cabe mais recurso da decisão do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e à idosa terá que cumprir a sentença. A indenização será pedida na esfera cível.

A defesa de Davina está sendo feita pela Defensoria Pública de São Paulo. A reportagem tentou contato com a defensora que cuida do caso, mas sem sucesso.

Reincidente

Não foi a primeira vez em que Davina Apparecida Castelli foi acusada de racismo. Suas ofensas atravessaram o Estado e chegaram também, neste ano, até a cidade de Curitiba, no Paraná. Em uma livraria, mais uma vez Davina fez ofensas e desacatou policiais. Nesse caso, as vítimas foram descendentes de chineses.

De acordo com declarações da vítima à imprensa, Davina teria dito que os descendentes deveriam ir embora do Brasil e que estariam no País para roubar, além de chamá-la de "nojenta". A aposentada recebeu voz de prisão por injúria racial.

Em 2012, na avenida Paulista, Davina teve o primeiro registro em vídeo de seus ataques de fúria e intolerância, feito por um policial. Na ocasião, a aposentada chamou a polícia para retirar um morador de rua paraplégico que estaria "atrapalhando" o caminho dela. 

De acordo com a PM, a idosa teria dito que a polícia deveria "recolher esse lixo, esse macaco". Descontrolada, Davina ofendeu também os policiais os chamando de "analfabetos" entre outras ofensas. A idosa foi presa por racismo e desacato e solta após pagar fiança.

Leia mais notícias de São Paulo

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.