Justiça manda arquivar investigação contra Rota por morte em favela
Segundo o Ministério Público, policiais militares agiram em legítima defesa no caso que terminou na morte de jovem na favela do Moinho, em junho de 2017
São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

A juíza Renata Mahalem da Silva Teles, da 1ª Vara do Júri do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), arquivou o inquérito policial instaurado para apurar a ação de PMs da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) que terminou com a morte de Leandro Souza Santos, 19 anos, na Favela do Moinho (centro de São Paulo), em 27 de junho do ano passado.
O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) havia pedido, em 13 junho deste ano, o arquivamento das investigações, alegando que havia prova suficiente para apontar que os policiais militares agiram em legítima defesa. No dia 14 de agosto a juíza aceitou, arquivando a apuração.
Moradores da favela do Moinho relatam agressões e ameaças dos policiais da Rota
Para o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), a decisão é “um caso exemplar do ciclo de impunidade que permeia esses casos”.
O advogado, que acompanha as apurações sobre o crime desde o início, afirma que as investigações contaram apenas com a versão policial sobre os fatos.
“Como o suposto confronto ocorreu dentro da casa, em quatro paredes, sob o controle dos policiais envolvidos que impediram as pessoas de se aproximarem, não existem outras testemunhas que contrariem a versão policial”, diz Alves.
Jovem morto por PMs na favela do Moinho tinha marcas de agressões
O promotor de Justiça Rubens Andrade Marconi havia pedido o arquivamento com base no depoimento de nove testemunhas, sendo sete deles policiais militares.
No pedido de arquivamento, Marconi disse que também levou em consideração as informações prestadas pela mãe do jovem. No entanto, como o depoimento da mulher teria ido contra as supostas provas, “não se revela apta a autorizar a promoção da denúncia”.
A versão apresentada pelo promotor é que dois PMs entraram na favela em ação contra o tráfico de drogas, quando viram dois homens correndo. Um dos homens, segundo a apuração do MP-SP, era Leandro.
O jovem teria entrado em uma das casas do bairro e, em seguida, os policiais investigados entraram também. Marconi aponta que Leandro portava uma arma de fogo e atirou contra os policiais "que, para salvaguardarem suas vidas, revidaram, efetuando disparos e alvejando o ofendido".
O laudo pericial, realizado pelo médico legista Mauro Renault Menezes, aponta que não havia partículas de chumbo nas mãos de Leandro, o que seria um indicativo de que o jovem não atirou contra os policiais. O mesmo documento, no entanto, ainda destaca que "não pode ser considerado uma prova técnica contundente".
A movimentação de moradores na favela do Moinho foi intensa nesta terça-feira (27) após a operação policial que terminou com um jovem morto a tiros
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