'Mais 5 minutos e a teria perdido', diz mãe de mulher que perdeu bebê

Após serem obrigadas a descer de carro de app, gestante e mãe sofreram acidente em viatura da PM que realizava o socorro até o hospital do Ipiranga

Rita de Cássia (à esq.) e a filha Daiany estavam felizes com a nova gravidez

Rita de Cássia (à esq.) e a filha Daiany estavam felizes com a nova gravidez

Arquivo Pessoal

"Quando chegamos no hospital, colocamos ela em uma caderia de rodas. Se tivéssemos atrasado mais cinco minutos, teria perdido a minha filha. Tudo porque o motorista não quis terminar a viagem por estar preocupado com o banco do carro. Isso doeu muito. Foi uma situação desesperadora".

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O depoimento da balconista Rita de Cássia Fernandes Franco, que acompanhava a filha Daiany Franco, grávida de 13 semanas ao hospital, após sofrer um sangramento em casa, expõe o pavor de perder a filha, mãe de outras três crianças — uma adolescente de 13 anos, um menino de seis e outra menina de três anos.

No dia 21 de agosto, depois de sentir dores, Daiany pediu a ajuda da mãe e ambas acionaram o serviço de um carro de aplicativo para levá-las até o Hospital do Ipiranga, na zona sul de São Paulo. Porém, ao perceber que poderia sofrer um prejuízo com as manchas de sangue no estofamento do veículo, o motorista decidiu deixá-las em um posto de combustíveis para que fossem levadas por uma viatura da PM.

Entretanto, algo inesperado ocorreu após a chegada do socorro: a viatura da Polícia Militar que transportava mãe e filha se envolveu em um acidente. Era um dia chuvoso e as pistas estavam escorregadias. Após a batida e mais um atraso para o atendimento médico necessário, o estado de saúde da gestante piorou.

"Surgiu um caminhão na nossa frente e a viatura bateu. O policial chamou outra viatura. Eles a colocaram dentro do carro... Quando chegamos no hospital, ela não respondia mais. Ela apertava a mão do policial para avisar que estava ouvindo. Por alguns minutos, achei que tinha perdido a minha filha", contou Rita de Cássia.

Daiany já voltou para casa e se recupera bem. Ela fez exame de corpo de delito no IML, a família registrou um boletim de ocorrência por omissão de socorro foi aberto para apurar a conduta do motorista e contratou um advogado para acompanhar o inquérito.

Mas, independentemente das providências legais e as eventuais consequências que possam ser sofridas pelo motorista em função do seu ato, o episódio deixará marcas na história dessa família da zona sul de São Paulo.

"[O bebê] iria ser muito amado. A gente estava feliz. Ela tinha compartilhado no Facebook. ela estava bem. Foi tudo de repente. Até agora, não estamos conseguindo entender nada... Esquecer ela não vai. Sentiu a mesma dor de ter um parto. Ela falou que agora já não é mais mãe de três, mas mãe de quatro", lamentou Rita de Cássia.