Marginal Tietê terá complexo viário de R$ 300 milhões
Projeto inclui corredor de ônibus que tende a diminuir tempo de viagem entre Lapa e Pirituba
São Paulo|Do R7

A licitação para construir mais uma ponte sobre o Rio Tietê, na capital, deve ser lançada nos próximos 30 dias. A nova ligação será entre Pirituba, na zona norte, e Lapa, na zona oeste, nos dois lados da avenida Raimundo Pereira de Magalhães.
A obra integra o chamado "Arco do Futuro" — pacote de ações para o desenvolvimento da região da marginal Tietê proposto por Fernando Haddad (PT) durante a campanha eleitoral de 2012. O projeto, no entanto, é uma adaptação de uma promessa antiga feita à população, renovada por todos os prefeitos desde a gestão Luiza Erundina (1989-1992).
Em tempos de ajuste fiscal no governo federal, que afeta obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o complexo viário, estimado em ao menos R$ 300 milhões, será construído com recursos da Operação Urbana Água Branca.
Só a ponte terá um teto de gasto estimado em R$ 70 milhões. O custo sobe por causa de obras auxiliares, como drenagem urbana e readequação da via, desde as imediações do Tietê Plaza Shopping, no lado de Pirituba, até a Estação Lapa, da CPTM, onde o pequeno túnel existente na via, de apenas uma faixa, dará lugar a uma pista com quatro faixas.
Ao apresentá-lo ao jornal O Estado de S. Paulo, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Roberto Garibe, destacou a previsão de um corredor de ônibus na avenida.
— Vai diminuir o tempo de viagem entre Pirituba e Lapa em 20 minutos.
Ao ressaltar a infraestrutura de transporte público na via e na ponte, o secretário tenta diferenciar a obra das últimas grandes intervenções na marginal, entregues em 2010. Após dois anos de obras, a via ganhou mais uma pista nos dois sentidos e três pontes — uma delas, a ponte Governador Orestes Quércia, chamada de "Estaiadinha", é subutilizada até hoje.
— Vamos eliminar quase todos os semáforos na ligação até o Terminal Lapa, criando um corredor expresso para os ônibus.
Etapas
Para começar a tirar a obra do papel, a prefeitura ainda tem de obter aprovações da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), da CPTM e do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), todos do Estado. Os órgãos exigem o projeto executivo, que ainda está sendo feito, mais detalhado para emitir as autorizações.
O financiamento também dependerá do humor do mercado, especialmente do setor da habitação, para ser viabilizado. Isso porque, segundo o secretário, a prefeitura deverá avaliar a disposição das incorporadoras em lançar empreendimentos antes de iniciar o leilão dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) que bancarão a obra.
Cepacs são papéis negociados na Bolsa de Valores que dão ao proprietário o direito de construir prédios com área maior do que o comum na região da Operação Urbana — no caso, Água Branca, Perdizes e Barra Funda. A venda é feita por meio de leilão. O anúncio ao mercado do início da primeira distribuição desses títulos foi feito no dia 3 deste mês. A arrecadação esperada é de, no mínimo, R$ 1,1 bilhão.















