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‘Me sinto um nada’, diz mãe de vítima em caso que PM foi absolvido

Ex-policial militar Fernando Cardoso, acusado de uma série de homicídios em Mogi das Cruzes (Grande SP), foi absolvido por um crime de 2013

São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

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Claudete e o filho Matheus, morto em 2013
Claudete e o filho Matheus, morto em 2013

“Hoje estou pior do que ontem. Estou cada vez mais arrasada. Me sinto um nada”. É assim que se define Claudete Rodrigues, mãe do estudante Matheus Aparecido da Silva, 16 anos, morto a tiros em 15 de novembro de 2013, no bairro de São Paulo, em Mogi das Cruzes (região metropolitana de São Paulo).

O ex-policial militar acusado de ter sido o autor do crime, Fernando Cardoso Prado de Oliveira, foi absolvido pelo tribunal do júri no início da madrugada desta quarta-feira (31), depois de mais de dez horas de audiência no Fórum de Mogi das Cruzes.


O ex-soldado Cardoso ainda é apontado em pelo menos outros sete inquéritos policiais por suposto envolvimento em crimes de homicídio na mesma cidade. Segundo o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), o ex-PM integra um “grupo de extermínio” que atua no município matando supostos usuários e traficantes de drogas.

Na mesma madrugada que Matheus foi morto, um amigo de infância de Cardoso também foi assassinado. Outras duas vítimas sofreram ataques a tiros — um foi baleado na nuca e sobreviveu, o outro não chegou a ser baleado. Os dois sobreviventes disseram na Justiça ter certeza que o criminoso era o então policial militar Cardoso.


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Exames balísticos na arma do ex-policial apontam o envolvimento dele nos homicídios. A Polícia Civil também concluiu que ele é responsável pelos assassinatos.


No entanto, Cardoso diz que “foi forjado” pelos policiais civis e afirma que sua arma foi fraudada pelo Instituto de Criminalística. O ex-PM diz que não tem envolvimento em nenhum crime e não matou ninguém.

Para o júri, Cardoso lamentou a morte de seu amigo de infância, Felipe. Disse que está preso injustamente. A maioria dos sete jurados acreditou na versão da defesa, e disse não ter provas suficientes que apontassem o envolvimento do ex-PM nos crimes.


Claudete foi uma das testemunhas de acusação. Depôs para os jurados por cerca de meia-hora e, às 16h, saiu do fórum. “Como optei por depor sem a presença do Cardoso, assim que falei tive que vim embora para casa”, diz. A noite foi longa demais para Claudete. Como nos últimos três dias, não conseguiu dormir direito, só lembrando de tudo que vem passando desde a madrugada que seu filho foi assassinado.

Ela é uma das integrantes das Mães Mogianas — grupo que se reúne em conversas e manifestações pedindo por justiça para as dezenas de pessoas mortas em chacinas e ataques a tiros na cidade.

Um áudio de 1 minuto e 48 segundos, enviado pela liderança do movimento Mães de Maio, Débora Maria da Silva, deu a notícia que a mãe não queria ouvir: “Claudete, o Cardoso foi absolvido”, seguido por palavras de consolo e falando sobre a necessidade de as mães “se unirem ainda mais”.

O áudio foi ouvido por Claudete às 5h30. “Minha reação na hora foi de muito choro”, diz a mãe. Depois disso, ela não conseguiu mais pregar os olhos. Antes, já estava “dormindo e acordando o tempo todo”.

O marido de Claudete, padrasto de Matheus, Márcio Rodrigues do Espírito Santo, 48 anos, acreditava que a condenação do ex-policial militar confortaria a família, por mais que “mesmo sendo uma pena máxima, ainda é pouco”. Nem a pena mínima se teve.

Apesar da absolvição do crime contra Matheus, o ex-policial militar Cardoso segue preso no Presídio Militar Romão Gomes, por ser apontado como responsável por outros homicídios.

O choro dele em frente aos jurados, dizendo sobre a saudade que seu filho tem de vê-lo sem a roupa de um presidiário, deve se repetir em outros julgamentos de homicídio, que ele responde. Do lado da mãe, Claudete afirma: "A luta continua". 

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