Médico pode ter sido confundido com policial, diz delegado
Polícia investiga a participação de dois suspeitos na morte do médico Roberto Kunimassa Kikawa, de 48 anos, no último sábado (10), no bairro do Ipiranga
São Paulo|Fabíola Perez, do R7

A Polícia Civil de São Paulo investiga a participação de dois suspeitos na morte do médico Roberto Kunimassa Kikawa, 48 anos, assassinado no último sábado (10), após uma tentativa de assalto, no Ipiranga, zona sul da capital.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações Wilson Roberto Zampieri, a principal linha de investigação da polícia é a hipótese de latrocínio, roubo seguido de morte. Além disso, as câmeras de segurança que registraram o momento da abordagem mostram que os suspeitos gritam "você é parça", "você é policial".
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Segundo Zampieri, nenhuma hipótese pode ser descartada. Com isso, é investigada também a possibilidade de o médico ter sido confundido por um policial. "Há 15 dias, na mesma região, houve um assalto na mesma região do Ipiranga. Houve confronto entre policiais e dois suspeitos. Um deles morreu."
Zampieri afirma que serão solicitadas informações sobre o caso ao Deic, responsável pelo caso. Nas imagens que a polícia teve acesso, é possível ver, segundo o delegado, duas pessoas. "Não dá para ver o rosto, mas dá para saber a dinâmica do crime", diz. "Ele estava com uma funcionária e com a filha, quando parou o veículo em frente a um prédio e ficaram 20 minutos conversando", afirma.
Nesse momento, de acordo com as imagens, dois homens teriam abordado o veículo. "Foram direto para a porta do motorista e não anunciaram roubo", teriam dito as testemunhas. Ao chegarem na porta do médico, teria questionado se ele seria policial. Kikawa, por sua vez, não teria conseguido soltar o cinto de segurança.
O médico foi atingido por dois tiros, um na axila e outro no abdômen. Foram colhidas impressões digitais deixadas pelos suspeitos no vidro traseiro do veículos. A Polícia Civil afirmou que aguarda o resultado da perícia. "Temos um álbum de fotografias de autores de roubos de veículos, com dois mil suspeitos", disse o delegado. "Mas não encontramos nada que apontem para esses suspeitos."
Nesta segunda-feira (12), as equipes da polícia, segundo o delegado, estão nas ruas para colher imagens de mais suspeitos para as investigações. "Eles abordaram o veículo à pé. Mas devem ter utilizado um carro ou moto deixado nas ruas paralelas."
Até o início da tarde desta segunda, a polícia havia colhido depoimentos da funcionária e da filha que estavam com o médico no veículo. A família, que morava com ele nos Estados Unidos, deve ser ouvida na terça-feira (13). As próximas testemunhas a serem ouvidas serão o porteiro do prédio do local do crime e os policiais que atenderam o caso.
Assalto em Diadema
Imagens de câmera de segurança também registraram um assalto que teria ocorido um dia antes, na sexta-feira (9). As imagens, porém, não são da mesma região em que ocorreu o homicídio do médico. De acordo com o delegado Zampieri, por meio da placa do veículo foi possível resgatar o boletim de ocorrência.
A tentativa de assalto ocorreu, na verdade, em Diadema, na Grande São Paulo. A filmagem mostra dois jovens — um deles armado — se aproximando de dois homens que estão conversando na calçada e anunciam o assalto. A dupla pega o celular, pulseiras, relógio e o carro das vítimas antes de fugir.
Procurada pela reportagem, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) disse que não localizou o registro da ocorrência nas delegacias da Polícia Civil da região do Ipiranga. A pasta ressaltou ainda sobre "a importância das vítimas registraram boletim de ocorrência".














