Melhor delegacia do Estado soluciona 70% dos crimes investigados
DP da Vila Clementino recebeu certificado após levantamento
São Paulo|Ana Ignacio, do R7

Há cerca de dez dias, a equipe do 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, começou a trabalhar em um caso de desmanche de veículos. Após registro de quatro furtos na região, a investigação foi iniciada. Dois suspeitos já foram identificados. O delegado titular do DP, Paulo Henrique Barbosa, espera que esse caso tenha o mesmo final que outras duas investigações realizadas por sua equipe nos últimos meses. Uma quadrilha que realizava arrastões em restaurantes da região e outra especializada em sequestro relâmpago foram desarticuladas após investigação dos agentes do distrito.
Barbosa diz se orgulhar dos casos solucionados, apesar de as ocorrências criminais representarem 40% dos casos registrados na delegacia da zona sul. Quatro pessoas foram presas no caso dos arrastões e outras seis foram detidas pelos sequestros relâmpagos. As investigações duraram dois meses.
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A agilidade no atendimento ao público foi um dos motivos que fizeram com que, em julho, o distrito policial recebesse o certificado de melhor do Estado de acordo com pesquisa feita pela Altus Aliança Global, CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) e Instituto Sou da Paz. Para Barbosa, a criação das centrais de flagrantes mudou o dia a dia das delegacias de bairro e fez com que, no caso do 16º DP, o trabalho melhorasse.
— As prisões em flagrante ocupavam muito tempo de uma delegacia. Com a criação das centrais, em junho do ano passado, o atendimento ao público melhorou. Você não sofre mais com a demora, nem com o ambiente hostil de ver preso e gente ensanguentada. Antes, a pessoa tinha que esperar três horas para fazer uma ocorrência. Hoje ela faz em 15 minutos. Essa mudança nos deu tempo para trabalhar, para focar nas investigações também.
Atendimento rápido
Era com satisfação que Barbosa mostrava à reportagem do R7 a recepção do DP vazia no meio da tarde de uma segunda-feira (15). As 30 cadeiras desocupadas logo após o horário de almoço, período de maior movimento, indicavam que os atendimentos já tinham sido finalizados. A delegada de plantão, Vanessa Cristina de Souza, de 28 anos, já havia despachado todos os boletins de ocorrência da tarde. Delegacia ajudaria a combater pedofilia
— As ocorrências variam e acontece de tudo. Hoje, o que mais teve foi dano contra o patrimônio
Com cerca de 80 funcionários, a delegacia registra, em média, 12 mil boletins de ocorrência por ano. Desse total, 40% são ocorrências criminais. Os 60% restantes são denúncias sociais como brigas entre vizinhos e de condomínio e problemas com a prefeitura.
De acordo com Barbosa, 70% dos casos criminais — em sua maioria furto de veículos e outros danos ao patrimônio — são resolvidos pela delegacia. Por mês, aproximadamente 50 pessoas são presas. Esses números só foram alcançados, segundo o delegado, devido às mudanças na administração da polícia de São Paulo.
— O delegado geral da Polícia e o diretor do Decap [Departamento de Polícia Judiciária da Capital] realizaram mudanças porque as delegacias de bairro estavam enfrentando problemas. As escalas eram muito desgastantes. Com escalas diferenciadas, a rotina mudou e é possível solucionar os problemas da região porque sobra tempo para investigação. A delegacia de bairro tem que atender à comunidade.
A região de atuação do 16º DP, segundo Barbosa, abrange uma população de 300 mil a 400 mil habitantes e fica entre as avenidas Indianópolis, Rubem Berta, Jabaquara, Ricardo Jafet, Cursino, Miguel Stefano e ruas Vergueiro, Sena Madureira e Diogo Freire.
Furtos e roubo de patrimônio
Desde que assumiu o DP, em janeiro de 2009, Barbosa conta que não houve nenhum registro de homicídio ou latrocínio no local. A atenção dos 15 investigadores, chefiados por Welington Barreto, fica voltada para a ação dos criminosos que praticam furtos, arrastões e roubos de residências. A carceragem do distrito é composta por três celas pequenas. Com frequência, estão vazias já que os presos ficam lá por menos de um dia e são encaminhados para outras detenções.
— Antes, a gente era babá de preso. Agora, a carceragem aqui é só de trânsito. Eventualmente tem um preso ou outro, mas logo são transferidos.
O antes a que o delegado se refere foi até 2003, quando a carceragem tinha celas maiores. Para se ter uma ideia do tamanho, as três celas atuais caberiam em apenas uma das celas antigas. Desativada há nove anos, a carceragem se transformou na 2ª DDM (Delegacia da Mulher).
Delegado há 22 anos, Barbosa já passou pelo Dnarc (Departamento de Narcóticos), ficou oito anos no Deic (Departamento de Investigação sobre Crime Organizado) e trabalhou em diversos DPs e seccionais de Guarulhos (Grande SP) e São Bernardo do Campo (ABC). Para ele, a Polícia Civil tem passado por um período de valorização, o que não significa que os problemas acabaram.
— [A polícia] tem que se aprimorar, tem que evoluir. Você não pode ficar usando métodos de cinco décadas atrás.
Classificação
No total, foram avaliadas na pesquisa 63 delegacias no Brasil. Entre os critérios avaliados estão orientação para a comunidade, condições materiais, tratamento igualitário da população, condições de detenção, transparência e prestação de contas. No início do ano, o 12º DP do Pari, também em São Paulo, recebeu o certificado de melhor delegacia do País em uma outra eleição feita pelos mesmos institutos.













