Memorial vai lembrar dor das mães que perderam filhos nos ataques de maio de 2006
Obra em concreto simboliza a luta contra o genocídio da população pobre em todo mundo
São Paulo|Juca Guimarães, do R7

Uma roda formada por dez silhuetas de concreto, cada uma com 1,70 m de altura, cercada por um roseiral forma o "Memorial dos Crimes de Maio e das Vítimas do Genocídio Democrático", que será construída no Centro Cultural do Jabaquara em homenagem à luta do Movimento Mães de Maio. A pedra fundamental da obra foi erguida na quinta-feira (12), durante um ato com representantes dos movimentos sociais e mães de vários estados do Brasil e de países da América Latina que perderam os filhos vítimas da violência do Estado.
A obra é um projeto da designer Silvana Martins e da artista plástica Clara Ianni e foi inspirada na luta pelos Direitos Humanos no mundo. "As silhuetas já foram usadas em memoriais na África do Sul e também no México, quando assassinaram 43 estudantes. Elas representam as vítimas do genocídio da população pobre nas mãos dos governos", disse Débora da Silva, presidente do Movimento Mães de Maio.
De acordo com Débora, o concreto foi escolhido por conta da sua resistência e durabilidade. "É um material que exige pouca manutenção e dura bastante. O roseiral é o símbolo das Mães de Maio porque são as rosas que nunca mais vamos receber dos nosso filhos assassinados", disse.
A obra deve ser concluída no final de julho. O local escolhido para receber o memorial também tem uma simbologia ligada ao Movimento Mães de Maio e a luta por direitos. "O bairro do Jabaquara faz uma ponte entre as cidades de São Paulo e Santos, por conta do terminal rodoviário, e as mortes de 2006 aconteceram na capital e, principalmente, na Baixada Santista. Mas tem uma questão importante é que o Jabaquara também era rota de fuga para os quilombos de Santos. Essa luta por liberdade e Justiça é marcante para a nossa ancestralidade", completou.
As figuras do memorial estarão de mãos dadas, exceto a última que terá a forma de uma pessoa caída no chão, de bermuda e camiseta, reprensentando as vítimas da violência.














