Logo R7.com
RecordPlus

Milton Leite: quem é ex-presidente da Câmara de SP alvo de operação contra o PCC

A trajetória política do ex-parlamentar começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha

São Paulo|Do R7, com RECORD e Estadão Conteúdo

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é alvo de operação que investiga a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital.
  • Leite afirmou estar viajando e prometeu se apresentar às autoridades em 24 horas para provar sua inocência.
  • A operação Vectura Corrupta cumpre mandados de prisão e busca em várias cidades, incluindo São Paulo, e investiga a ligação de empresas de transporte com o PCC.
  • O nome de Leite já havia aparecido em investigações relacionadas à empresa de ônibus Transwolff, suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos Instagram/@miltonleite.sp - 27.01.2025

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), de 67 anos, foi um dos alvos do pedido de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17), pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

De acordo com o “Balanço Geral Manhã”, da RECORD, a polícia cercou a casa de Milton com apoio aéreo e terrestre, mas o ex-vereador não foi encontrado. Ele teria sido visto pela última vez na tarde da última quarta-feira (16).


Por meio de comunicado, Leite disse que está viajando, mas irá se apresentar às autoridades em até 24 horas. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.”

Veja Também

Durante esse período, seus advogados devem preparar uma defesa na tentativa de reverter o pedido de prisão já emitido.


Quem é Milton Leite

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.

Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.


A trajetória política de Leite começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha. Foi eleito vereador pela primeira vez em 1996, para assumir o mandato no ano seguinte, e conseguiu seis reeleições consecutivas, permanecendo na Casa até 2024.

Na presidência da Câmara, comandou o Legislativo em 2017 e 2018 e novamente de 2021 a 2024. Nesse período, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em diferentes ocasiões.


Ao deixar o cargo de vereador, passou a atuar nos bastidores da política municipal e estadual.

Para as eleições de 2026, o ex-vereador tem apoiado a atuação política da família. Alexandre Leite e Milton Leite Filho, buscam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, respectivamente.

O papel de Leite na operação

O nome de Leite já havia aparecido em apurações relacionadas à Transwolff, empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, em 2024.

A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.

Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar apontou possíveis conexões entre Leite e policiais presos por atuar na segurança de dirigentes da Transwolff.

Uma mensagem enviada pelo sargento da reserva Nereu Aparecido Alves a um diretor da empresa fazia referência ao ex-vereador como “chefe Milton”. A investigação também citou possíveis relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a companhia.

Leite negou conhecer Nereu e afirmou que o policial nunca fez parte de sua escolta. A Câmara Municipal afirmou que o capitão Alexandre Paulino Vieira, citado nas investigações como responsável por organizar a segurança dos empresários, havia trabalhado na Assessoria Policial Militar da Casa durante gestões de diferentes presidentes.

Em agosto, o Ministério Público denunciou quatro policiais militares sob acusação de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança de dirigentes, familiares e instalações da Transwolff.

Segundo a denúncia, Alexandre Paulino Vieira era o principal elo do grupo. O documento não apontou a participação de Leite no esquema.

Operação Vectura Corrupta

A ação, denominada Operação Vectura Corrupta, envolve a Polícia Civil de São Paulo e o MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Segundo a polícia, além do ex-vereador, um ex-servidor da Prefeitura de São Paulo, que atuava na SPTrans, um candidato a deputado estadual e três advogados tiveram suas prisões decretadas.

A polícia não informou os nomes dos envolvidos na ação, mas, de acordo com o “Balanço Geral Manhã”, os outros investigados da operação seriam Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SP Trans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura da Praia Grande (SP) e atual candidato a deputado estadual.

Como funciona o esquema

Segundo as investigações, os alvos dos cumprimentos dos mandados integram a organização criminosa, alguns exercendo funções de liderança.

A investigação é desdobramento de outra operação anterior, denominada “Decúrio”, deflagrada em agosto de 2024, quando se identificou uma complexa rede de informações usada pelo PCC nas ruas e nos presídios.

Na época, foi encontrado também um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais daquele ano.

Nessa nova fase, foi detectada novamente a atuação de advogados em conluio com o crime organizado e a contaminação de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior, e com a participação ativa de parte dos investigados.

Ao menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros em operação na cidade de São Paulo seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC.

Posicionamento da Prefeitura de São Paulo

Conforme a gestão do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), a intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte.

“Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada”, disse por meio de nota.

A Prefeitura reforça ainda que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria-Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

“A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários”, disse a Prefeitura de São Paulo.

O R7 tenta contato com as defesas dos demais envolvidos na operação, mas, até o momento, não obteve retorno.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.