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Moradores de favela incendiada dormem em escombros do local

Eles criticam as regras de abrigos da prefeitura. E uma cena inusitada, um gato está preso em uma árvore desde o dia do incêndio

São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

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Vitor, segurança de um posto, abrigou quem fugia das chamas
Vitor, segurança de um posto, abrigou quem fugia das chamas

Homens dormem e devem passar os próximos dias em meio as cinzas, enquanto não arrumam teto, após o incêndio e a reintegração de posse que atingiu a Comunidade do Cimento, região da Mooca (zona leste de São Paulo), na noite do último sábado (23).

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“Já tem outras duas ocupações dos moradores, mas a prioridade é para mulher, casais e crianças”, afirma Danilo Damião, 34 anos, que morava na favela há quatro anos e conseguiu salvar uma sacola com camiseta e calça.

Outra opção para os moradores que perderam os barracos são os albergues da prefeitura. No entanto, segundo Carlos Eduardo Coelho Barreto, 35, anos, esses abrigos tiram a independencia dos moradores.


Carlos Eduardo critica regras dos abrigos oferecidos pela Prefeitura
Carlos Eduardo critica regras dos abrigos oferecidos pela Prefeitura

“Eu, por exemplo, às vezes trabalho a noite, e as regras do albergue não permite muito isso. Tem muitas regras, muitas imposições, e dificulta para muita gente ir”, disse Carlos Eduardo.

Ele trabalha como ajudante na carga e descarga de materiais em eventos. Por isso, segundo Carlos Eduardo, precisa ter um lugar que pode entrar e sair a hora que quiser.


Em meio as marcas do fogo e restos dos barracos, uma cena inusitada, um gato está no topo de uma árvore desde o dia do incêndio. De acordo com moradores, o animal subiu assustado ainda no início do fogo e não desceu mais.

Ao lado da árvore onde o gato está no topo, um posto de combustível abrigou “muitas pessoas desesperadas” logo depois do incêndio, conforme afirmou o segurança do local Vitor de Lima Silva, 35 anos.


“Abrigamos todo mundo que chegava e e falava que o barraco pegou fogo. Não tinha muito o que fazer, eles não tinham outra alternativa”, disse o segurança. Aos poucos, cada um vai encontrando um lugar e esvaziando o posto.

Mas Noel de Souza, 48 anos, que conseguiu salvar só a roupa do corpo, está ajudando na segurança do estabelecimento em troca de um teto provisório. “Vou ajudando aqui e dormindo por aqui mesmo até arrumar outro barraco”.

“A rua é isso, e quem tá na rua está sujeito. Hoje não tenho nenhuma perspectiva, mas preciso lutar todo dia, batalhar para ver o que a gente consegue conquistar de novo”, disse Gilberto Cardoso da Silva, 32 anos.

Gato subiu no local quando o incêndio começou e está preso lá
Gato subiu no local quando o incêndio começou e está preso lá

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