Motorista preso sob suspeita de participar da morte de delegado é inocente, dizem familiares
Crime ocorreu na noite de 13 de setembro, quando motorista fazia churrasco em sua casa
São Paulo|Do R7*
Os familiares do motorista Antonio Rodrigues de Oliveira, 31 anos, preso sexta-feira (19) sob suspeita de participação na morte do delegado Francisco de Assis Camargo Magano, da Polícia Civil de São Paulo, afirmam que ele é inocente, vítima de uma injustiça.
No momento da morte do delegado Magano, ocorrida a cerca 10,5 km da casa do motorista, às 21h20 do dia 13 deste mês, Oliveira fazia um churrasco com familiares. Uma gravação enviada para a sogra de Oliveira, por meio do aplicativo WhatsApp, é uma das evidências usada pela família dele para tentar provar sua inocência. No áudio, o filho de Oliveira chama a avó para participar da churrascada e a voz do motorista é ouvida.
Casado, pai de um menino de três anos e morador de na zona leste de São Paulo, Oliveira teve a prisão temporária (por 30 dias) decretada pelo Tribunal de Justiça de SP, que atendeu pedido do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).
De acordo com a mulher de Oliveira, Daniele Cristina Mesquita, 22 anos, vizinhos do casal também podem provar que ele estava em casa na noite em que o delegado Magano foi morto. O patrão do motorista também já se manifestou sobre o funcionário e escreveu uma carta na qual atesta sua boa conduta no trabalho.
Há cinco anos, Oliveira cumpriu pena de um ano e oito meses por tráfico de drogas. Dois dias após a recente prisão de Oliveira, uma página na rede social Facebook divulgou fotos do suspeito, mesmo sem que a polícia tenha comprovado sua participação na morte do delegado Magano.
Procurado pelo R7, o Deic, departamento da Polícia Civil de SP esponsável pelo pedido de prisão temporária de Oliveira à Justiça, informou: "O Deic não divulgou essa prisão [de Oliveira] porque apura a participação desse suspeito. Não divulgamos o nome, nem fizemos coletiva. A Justiça decretou prisão temporária porque uma importante testemunha o reconheceu como participante do crime."
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A testemunha que apontou Oliveira como participante do crime o apontou quando ele foi colocado ao lado de outros quatro homens, todos com aparência física bastante diferente da dele.
O crime
Filho de um desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de SP e irmão de um juiz, Magano, 49 anos, era do DHPP (Departamento de Homicídios de Proteção à Pessoa), onde sempre foi considerado por amigos como um delegado eficiente. Ele foi morto a tiros na noite do dia 13 deste mês, um sábado, quando estava com a namorada dentro de um carro no bairro do Tatuapé, também na zona leste de São Paulo. O delegado ainda chegou a ser socorrido, mas morreu no Pronto Socorro do Hospital Tatuapé.
A namorada do delegado disse à polícia que dois suspeitos, em uma moto, atacaram Magano. Um deles desceu e deu o primeiro tiro quando o delegado estava em pé, ao lado do veículo. Ele caiu e foi atingido por mais três tiros. Os criminosos fugiram levando o carro e as armas do delegado. O veículo foi abandonado a 5 km do local do crime. Dentro dele, a perícia encontrou uma arma. Foram recolhidas impressões digitais e a policia também vai pedir imagens de câmeras de segurança da rua.
Para os investigadores que atuam no caso, a hipótese mais forte para a morte do delegado é de latrocínio (roubo seguido de morte).
*Com informações do estagiário Gilmar Junior e do repórter André Caramante













