São Paulo Motorista que matou cicloativista em SP responderá por embriaguez

Motorista que matou cicloativista em SP responderá por embriaguez

José Maria da Costa Junior responde por homicídio culposo qualificado, após documentos e testemunhas indicarem que ele estava sob efeito de álcool 

  • São Paulo | Mariana Rosetti e Edilson Muniz, da Agência Record

José Maria da Costa Junior responde pela morte da ciclista Marina Kohler Harkot

José Maria da Costa Junior responde pela morte da ciclista Marina Kohler Harkot

RONALDO SILVA / FUTURA PRESS / ESTADÃO CONTEÚDO - 10.11.2020

O motorista José Maria da Costa Junior, de 33 anos, indiciado por atropelar e matar a cicloativista Marina Kohler Harkot, de 28, passou a responder por homicídio culposo qualificado, após documentos e testemunhas indicarem que ele estava sob efeito de álcool no momento do acidente. As informações são da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).

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Anteriormente, Costa Junior respondia apenas por homicídio culposo. A SSP informou que não houve novo pedido de prisão preventiva. Um primeiro pedido foi negado pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) na sexta-feira (13), quando a lei eleitoral proibia que qualquer eleitor fosse preso, exceto em caso de flagrante. A regra entrou em vigor cinco dias antes da votação para 1º turno e deixou de valer às 17h de terça-feira (17) 48 horas após o encerramento da votação. 

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Uma mulher que estava no veículo também foi ouvida e indiciada por omissão de socorro. O caso segue em investigação pelo 14º DP (Pinheiros).

O crime

Marina foi atingida enquanto trafegava de bicicleta pela Avenida Paulo VI, em Pinheiros, na zona oeste, às 0h17 de domingo (8). O Samu chegou a ser acionado por outras pessoas, mas a jovem morreu no local.

Costa Júnior teria deixado de prestar socorro e fugido do local, segundo investigadores. Ele passou mais de 48 horas foragido até se entregar na delegacia na terça-feira (10), na companhia de advogados.

A avenida em que Marina foi atropelada tem quatro faixas e a socióloga estaria pedalando na última, perto do parapeito, de acordo com a investigação. Na via, a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.

Quem era Marina Harkot

Marina era ativista feminista e de movimentos que defendiam melhores políticas de mobilidade urbana. Levou sua luta também para a vida acadêmica. Formada em Ciências Sociais pela USP, era mestra e doutoranda pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), onde atuava como pesquisadora colaboradora do LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade).

Cicloativista morreu atropelada na zona oeste de SP aos 28 anos

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Reprodução/Facebook

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Segundo informações de seu currículo Lattes, ela vinha se aprofundando em sua pesquisa de doutorado "no debate sobre segregação socioterritorial a partir de abordagens de gênero, raça e sexualidade". Na dissertação de mestrado, defendida em 2018, Marina já havia estudado a relação entre gênero, mobilidade e desigualdade.

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