MPL quer distinguir presos em protesto, mas diz que todos terão auxílio
Segundo Douglas Belome, cerca de 30 pessoas permanecem em delegacias
São Paulo|Fernando Mellis, do R7
Representantes do MPL (Movimento Passe Livre) disseram, nesta quinta-feira (20), que vão avaliar individualmente o caso de cada preso nos protestos dessa semana contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. Segundo Douglas Belome, cerca de 30 pessoas permanecem em delegacias.
— Aqui em São Paulo todos os presos e detidos nos atos da semana passada foram soltos na sexta-feira (14). Com relação à manifestação de terça-feira (18), que teve diversos detidos, o número não é preciso por enquanto, mas cerca de 30 pessoas continuam presas e as acusações são diversas, entre elas furto qualificado, distúrbio da ordem pública.
Questionado sobre pessoas detidas em flagrante saqueando lojas e depredando edifícios, inclusive a sede da Prefeitura de São Paulo, Belome garantiu que ninguém ligado diretamente ao MPL foi preso.
— Nenhum militante do Movimento Passe Livre foi preso saqueando qualquer coisa. A gente sofreu alguns abusos da polícia, como tiros de bala de borracha, averiguação arbitrária, mas a gente não foi preso por nenhum ato de vandalismo.
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Os representantes do Movimento dizem que não vão negar auxílio jurídico a ninguém que foi preso no “contexto da manifestação”, no entanto, os advogados do MPL vão defender todos e falam em “distinguir os presos”.
— É difícil fazer essa distinção. Tiveram cenas de algumas pessoas que estavam na manifestação furtando lojas. Mas aconteceu, também, depois que a manifestação já tinha acabado, muitos manifestantes que estavam circulando pela rua foram presos pela polícia. Eram manifestantes que não tinham cometido nenhum ato de furto ou qualquer vandalismo que seja.
Mayara Vivian falou de casos em que pessoas foram, supostamente, pegas a esmo e levadas à delegacia sob diversas acusações.
— Não dá para saber se o cara estava saqueando mesmo. Porque a gente teve pessoas que estavam andando na rua, em outro setor da manifestação, que foram presas e acusadas de incêndio.
Sobre as passeatas terminarem em violência na maioria das vezes, ela disse que há uma indignação e revolta da população que se reflete nas depredações. Mesmo assim, ela garantiu que o MPL não apoia esse tipo de ato.
— É claro que o movimento chama para uma manifestação pacífica e tenta garantir, como podemos, que ela continue nesse caráter pacífico. A nossa radicalidade está em trancar as ruas, em parar a cidade, em mostrar que o povo está na rua.
Mayara ainda criticou a postura do governo durante as manifestações.
— Quem deixou mais de 200 feridos não foi o Movimento Passe Livre e nenhum manifestante, foi o Estado. Eu queria que vocês repensassem o conceito de vandalismo, porque a prefeitura, teoricamente, é a casa do povo e o Palácio dos Bandeirantes também. As pessoas queriam entrar lá, não queriam quebrar nada. Então, o que é vandalismo? É deixar mais de 200 feridos, que pagam o salário do secretário, do governador e agredir o jornalista que está trabalhando também.
Sobre o auxílio jurídico, o Movimento Passe Livre esclareceu que os militantes serão defendidos pelos advogados deles. Já quem estava na manifestação e foi preso, seja por furto, dano ou qualquer outro crime, será encaminhado para a Defensoria Pública, caso não tenha advogado. O MPL disse que acompanha caso a caso de perto.















