São Paulo Mulher de sushiman morto em SP nega que ele tenha tido surto

Mulher de sushiman morto em SP nega que ele tenha tido surto

Segundo Emilene, marido trabalhava no restaurante há quase sete anos. Ela ainda o descreveu como uma pessoa reservada, sem problemas com colegas 

  • São Paulo | Fabíola Perez, do R7

 Leandro Santana dos Santos tinha 26 anos e morreu no último dia 21

Leandro Santana dos Santos tinha 26 anos e morreu no último dia 21

Reprodução

A cozinheira e esposa do sushiman morto em um restaurante japonês do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, Emilene Pereira da Silva Gonçalves, de 41 anos, afirmou na tarde desta terça-feira (27) que o marido, Leandro Santana dos Santos, não teve nenhum surto enquanto trabalhava no restaurante.

"Esse negocio de surto não existe, uma pessoa calma como o Leandro. Surto é coisa de louco, o Leandro não", afirmou, após duas horas de depoimento no 15º DP do Itaim Bibi.

Emilene acredita que o que teria motivado a ação do marido foi uma "discussão entre colegas de trabalho". "Quero saber que brincadeira foi essa, porque a polícia fez isso, porque o restaurante não teve uma posição de não deixar fazer o que fizeram com ele. Foi um descaso", afirma. A esposa do sushiman nega também a versão de que o marido teria sido alvo de bullying dos colegas. "Ele conversava com os rapazes do trabalho. Mas casos de bullying eu desconheço."

Casada com Leandro há cinco anos, Emilene afirma que soube da morte do marido apenas às 14h da quinta-feira (22). "Ele costuma chegar umas 3h30 ou 4h. Só não estranhei porque ele iria buscar a mãe dele para ver a bebê", diz ela se referindo a filha do casal, Isabella, de oito meses.

Leia mais: Quatro PMs envolvidos na morte de sushiman são afastados

Ainda segundo Emilene, o marido não tinha nenhum problema de saúde. "Ele não tomava nada, nenhum remédio, não usava drogas e não tomava cerveja. Era uma pessoa sossegada e tranquila", afirma a esposa.

Emilene Gonçalves, de 41 anos, prestou depoimento no 15º DP (Itaim)

Emilene Gonçalves, de 41 anos, prestou depoimento no 15º DP (Itaim)

Fabíola Perez/R7

Segundo ela, o marido trabalhava no restaurante há quase sete anos. "Ele gostava de trabalhar lá e nunca levou problemas para casa, principalmente para mim. Era uma pessoa que trabalhava de forma reservada, na dele, que só queria cuidar da filha e de mim."

Um laudo necroscópico apontou que Leandro Santos foi morto com quatro tiros disparados por policiais militares, todos disparatados pelas costas segundo o documento. "Quero que seja feita a justiça", diz Emilene. "Para que tantos tiros? Não precisava disso."

Investigação

Um dos tiros que matou o sushiman Leandro Santana dos Santos atingiu o centro das costas do funcionário. Segundo testemunhas, o sushiman teve um surto e atacou com duas facas colegas de trabalho e clientes do restaurante. Ele foi morto por policiais militares que atenderam a ocorrência. Imagens da câmeras de segurança do local mostram o sushiman atirando uma faca contra os policiais militares.

De acordo com o delegado titular do 15º DP (Itaim Bibi), Fábio Pinheiro Lopes, o laudo feito pelo IML (Instituto Médico Legal) mostra que os disparos também atingiram o braço esquerdo, a perna direita e a lateral das nádegas de Leandro.

Um inquérito policial foi instaurado e deverá apurar as causas e eventuais responsabilidades pela morte do sushiman, se houve excessos por parte da Polícia Militar ou se foi uma intervenção em legítima defesa. 

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