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Na pressa, paulistanos esquecem até carta de amor de 1920 no metrô

Empresa informou que são deixadas até dentaduras e objetos inusitados

São Paulo|Da Agência Brasil

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Uma carta de amor escrita em 1920, perdida há anos, precisou ser esquecida no metrô da capital paulista para que retornasse às mãos de sua destinatária. O bilhete foi encontrado dentro de um livro deixado na estação pelo filho de uma viúva, que há muito tempo procurava a recordação escrita pelo marido quando eles ainda iniciavam a vida a dois.

Em meio aos mais de 70 mil objetos esquecidos por ano nas estações de metrô de São Paulo, encontram-se documentos de identidade, guarda-chuva, itens curiosos, como micro-ondas, cadeiras de rodas, LPs e dentaduras, mas também histórias de vida, segundo Cecília Guedes, chefe do Departamento de Relacionamento com Cliente da Companhia do Metropolitano de São Paulo.


— Esses locais [Achados e Perdidos] ficam muito associados a um lugar de guarda material, que somente objetos de maior valor seriam procurados, mas a gente faz também uma guarda afetiva, de significado. Por exemplo, uma criança que chegou a ficar doente, porque perdeu a boneca.

Ela, que trabalha há sete anos no setor, lembra ainda de casos em que um senhor perdeu uma pasta com todos os documentos para dar entrada na aposentadoria e de uma senhora que perdeu a escritura da casa.


— Eles ficam surpresos ao encontrar.

Diariamente, quatro milhões de pessoas circulam pelas cinco estações do Metrô paulistano, um número que é superior, por exemplo, à população do Uruguai. A maior parte dessas pessoas anda apressada, mas, quando acha um objeto perdido, elas exercem a cidadania.


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Até maio deste ano, 34 mil itens chegaram ao Achados e Perdidos do Metrô, localizado na Estação Sé, no centro da cidade, dos quais 10 mil foram recuperados.


— O percentual de devolução chega a 30%, mas alguns itens, como celular, alcançam 70%. As pessoas podem acompanhar o trânsito do objeto: em qual estação está, se chegou aqui [Estação Sé]. Os que não têm identificação podem ser pesquisados diretamente aqui, porque fazemos o cadastro com toda a descrição do item.

Tudo o que é encontrado é cadastrado em um sistema de computador e o que tem identificação é disponibilizado na internet.

Os usuários têm até 60 dias para recuperar o item perdido. Na terceira estante do lado esquerdo, na segunda prateleira do guarda-volumes, um micro-ondas aguarda pelo seu dono. Ele foi deixado no dia 31 de maio no mezanino da Estação Luz. Não importa o tamanho ou o quão inusitado pode ser, se esquece de tudo nas estações de metrô: muletas, bicicleta, crânio de animal, esculturas, pia, pasta com coleção de cédulas. Enquanto a maior parte dos objetos é doada para o Fundo Social de Solidariedade do Estado, os mais curiosos viram itens de exposição, como a que esteve na Estação Trianon-Masp até junho deste ano.

Os documentos pessoais lideram o ranking de objetos mais perdidos. Foram 4.748 até maio neste. Em seguida, estão as carteiras (4.069), as bolsas e mochilas (304) e as peças de vestuários e acessórios (753). No verão, no entanto, os guarda-chuvas ganham destaque, sendo que a maioria não é recuperada.

O setor de Achados e Perdidos do Metrô paulistano funciona de segunda a sexta-feira das 7h às 20h, exceto nos feriados. Os objetos podem ser procurados também pela internet, no endereço eletrônicowww.metro.sp.gov.br, e pelo telefone 0800-770-7722.

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