"Não tenho mais nem lágrima para chorar", diz pai de desaparecido em desabamento na zona leste
Vítima trabalhava no almoxarifado; família está no local procurando por operário
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Familiares dos operários que trabalhavam no prédio que desabou na manhã desta terça-feira (27) foram até o local em busca de notícias sobre os parentes. Entre ele, Francisco Feitosa Filho. Ele é pai de Felipe Pereira dos Santos, 20 anos, que trabalhava no almoxarifado da obra e ainda não foi localizado.
— A família está toda aqui. Está todo mundo abalado, todo mundo desesperado. Não tenho mais nem lágrima para chorar.
Um parente do desaparecido também estava no local e, durante a tarde, tentava mostrar para os bombeiros o local onde ficava o almoxarifado.
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Por volta das 17h, o Corpo de Bombeiros retirou o quarto corpo dos escombros. Duas vítimas continuavam desaparecidas no horário. Os bombeiros dizem que seis pessoas morreram no acidente.
A Defesa Civil informou que 26 pessoas haviam sido socorridas até o horário. De acordo com a prefeitura, quatro famílias que moram próximas precisaram sair de casa. Outros dois imóveis comerciais tiveram que ser interditados.
No prédio, que estava em construção, iria funcionar a loja de departamento Torra Torra. Mas segundo informações da administração do estabelecimento, o prédio era locado e a empresa ainda aguardava o término das obras para realizar uma sondagem e analisar se o prédio estava apto para o funcionamento do estabelecimento.
Cachorros
Cinco cães farejadores foram levados para o local. O sargento Marcelo Garcia Dias,responsável pela equipe de cães, explicou que as buscas só são realizadas após a sinalização feita pelos animais.
— Os cães sinalizaram em quatro pontos. E é onde estão fazendo esse trabalho de busca hoje [terça-feira].
Ele explica como funciona o trabalho:
— A gente elimina a área. O cachorro não necessariamente sinaliza a vítima, mas ele diminuiu a área de busca.
Ajuda
A notícia do desabafamento mobilizou integrantes da Força Jovem Universal. Cerca de 70 voluntários foram até o local do acidente, com a finalidade de oferecer suporte às equipes de resgate, levando alimentos e água, conforme explica um dos coordenadores do trabalho, o pastor Rodrigo Maurício Ferreira, 31 anos.
— A noite vamos voltar para trazer sopa quente para eles.
Ele relata que a igreja, localizada na mesma avenida, está servindo como base de apoio.
O também pastor Geyson Luis Maciel, 27, conta que jovens de várias regiões foram chamados. Ele ficou sabendo do desabamento pela televisão.
— Vimos pela televisão. Neste momento, mobilizamos os jovens. Fizemos esse trabalho também em um incêndio que houve na Mooca.














