Número de crianças nas ruas sobe 104% em 15 anos na cidade de SP
Censo realizado em maio deste ano pela prefeitura mostra 3.759 crianças e adolescentes em situação de rua; em 2007 eram 1.842
São Paulo|Sophia Camargo, do R7

A Prefeitura de São Paulo realizou o Censo de Crianças e Adolescentes em situação de rua após 15 anos sem nenhum levantamento sobre esse grupo na cidade. A última pesquisa tinha sido efetuada em 2007.
O censo, realizado no mês de maio, apontou a existência de 3.759 crianças e adolescentes, entre 0 e 17 anos e 11 meses, em situação de vulnerabilidade social, que usam as ruas para dormir, praticar atividades irregulares ou ilícitas, e que estão acolhidas em serviços da rede socioassistencial. O Censo anterior, de 2007, identificou 1.842 crianças e adolescentes em situação de rua.
O levantamento, considerado o mais completo já realizado até agora na cidade, mostrou que as crianças e adolescentes em situação de rua estão assim distribuídos:
• 73,1% (2.749 crianças e adolescentes) utilizam as ruas como forma de sobrevivência;
• 10,7% (401 crianças e adolescentes) pernoitam nas ruas;
• 16,2% (609 crianças e adolescentes) estão acolhidos nos Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica) e em Centros de Acolhida Especial para Famílias.
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Centro concentra o maior número de crianças
A região central da cidade concentra o maior número de crianças e adolescentes em situação de rua, com destaque para a República (309), Sé (202) e Santa Cecília (196), mas o levantamento permitiu também identificar o processo de expansão das crianças e adolescentes em condição de rua nas franjas da cidade.
Os cinco distritos que mais tiveram aumento foram: Cidade Líder (de 6 para 39), São Mateus (de 3 para 34) e Aricanduva (de 1 para 11). Além disso, 11% das crianças e adolescentes foram identificados em distritos que a pesquisa de 2007 não apontava. Isso corresponde a 28 novos distritos, como Anhanguera, Brasilândia, Perus e Jaraguá, na zona norte; Iguatemi, Cidade Tiradentes, Cangaíba e José Bonifácio, na zona leste; e Parelheiros, Grajaú, Capão Redondo e Campo Limpo, na zona sul.
Maioria é do sexo masculino, negra e parda
De acordo com o Censo, 2.227 crianças e adolescentes (59,2%) são do sexo masculino, 1.453 (38,7%) do sexo feminino e 79 (2,1%) não souberam ou não quiseram informar. A faixa etária de 12 a 17 anos é a que concentra o maior número, com 1.585 (42%), seguida dos que têm até 6 anos, que são 1.151 crianças (30,6%), e 1.017 (27,1%) que têm entre 7 e 11 anos. Seis deles (0,2%) não quiseram informar a idade.
Os que se autodeclararam de cor parda representam 43% (1.615), os de cor preta, 28,6% (1.074), branca são 811 (21,6%), 34 (0,9%) se declaram indígena, 20 (0,5%) amarela, 1 morena. Outros 166 não souberam ou não quiseram declarar.
Rede socioassistencial
A cidade de São Paulo conta com quase 500 orientadores distribuídos dentro de 27 equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) de modalidade mista (adultos e crianças), que ofertam diariamente 2.090 vagas de acolhimento para crianças e adolescentes.
Na rede Proteção Social Básica, são ofertadas pela Assistência Social vagas em 468 unidades do Centro para Crianças e Adolescentes (CCA), 20 Centros de Convivência Intergeracional (CCInter), 63 Centros de Desenvolvimento Social e Produtivo (Cedesp), cinco Circos Social, 39 Centros para Juventude (CJ), 68 Serviços de Assistência Social à Família (SASF) e um Restaurante Escola.
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