Número de detidos hoje chegou a 150, diz advogado do Movimento Passe Livre
Rodolfo Valente afirmou, porém, que parte já havia sido liberada por volta das 22h
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

O número de pessoas levadas para averiguação durante o quarto protesto contra o aumento da tarifa do transporte em São Paulo chegou a 150. A informação foi passada pelo advogado do Movimento Passe Livre, Rodolfo Valente. Segundo ele, porém, parte deles já havia sido liberada por volta das 22h.
Valente contabilizou que cerca de cem jovens foram levados ao 78º DP e cerca de 50 em 1º DP. Sobre as liberações, a Polícia Civil não confirmou o número, mas disse que eles foram liberados porque não foi constatado qualquer envolvimento em crime.
Por volta das 22h, 36 manifestantes foram levado ao 1ª DP (Distrito Policial), no bairro da Liberdade, região central de São Paulo. Desses, quatro eram mulheres. Eles estão prestando esclarecimentos a polícia.
No mesmo horário, policiais militares ainda estavam na avenida Paulista e pessoas circulavam pela rua assustadas. As lojas na região fecharam mais cedo e permaneciam assim nesta noite.
O vereador Ricardo Young (PPS) esteve no 78º DP acompanhando o registro dos boletins de ocorrência. Segundo ele, cerca de 70 jovens ainda permaneciam na delegacia por volta das 22h desta quinta-feira. Ao sair do local, o vereador criticou a ação da PM durante o protesto.
— O processo de detenção foi um pouco violento. Houve um certo abuso do uso do gás lacrimogêneo. Cercaram um grupo de meninas que foram muito pressionadas, passaram mal com o gás e mesmo assim a polícia não cedeu.
Ainsa segundo Young, não havia relato de violência física até o momento.
— Houve uma pressão forte, uma dissuasão psicológica e moral muito forte. Eu acho absolutamente desigual o aparato [usado pela PM] para a natureza da manifestação. Isso não significa que o vandalismo não deva ser reprimido. Deve ser, mas a polícia tem condições de identificar [os vândalos] aqui no DP.
Confronto
A Polícia Militar e manifestantes entraram em confronto por volta das 19h desta quinta-feira (13) na região da rua Maria Antônia. Policiais militares jogaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo nos manifestantes, que revidaram tacando objetos. Além disso, os jovens colocaram fogo em lixo e picharam e depredaram ônibus.
O major Lídio da Polícia Militar declarou que o descumprimento do acordo feito com o Movimento Passe Livre gerou o confronto.
— O movimento não cumpre palavra. Então, o que foi acertado é que eles viriam até a praça Roosevelt para fazer a manifestação aqui. Como eles não cumpriram o acordo, nós estamos recuando nossa linha [de bloqueio] para que depois a própria imprensa registre que eles não estão cumprindo o acordo.
A declaração do major ocorreu minutos antes da polícia lançar bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar o grupo de manifestantes. De acordo com a polícia, foi combinado que o grupo iria apenas até a praça Roosevelt e não seguiria pela rua da Consolação em sentido a avenida Paulista. Segundo a PM, como os manifestantes tentaram seguir em frente e não houve novo acordo com o grupo, ocorreu o lançamento das bombas.
Jornalistas detidos e feridos
Profissionais de imprensa ficaram feridos e alguns foram detidos durante a cobertura do protesto. A repórter da TV Folha Giuliana Vallone foi atingida no olho por uma bala de borracha. Ela estava na rua Augusta quando foi atingida. De acordo com a Folha de São Paulo, o repórter fotográfico Fábio Braga também foi atingido por dois disparos, sendo um no rosto e outro na virilha.
O repórter Piero Locatelli, da revista CartaCapital, e o fotógrafo do Terra Fernando Borges foram detidos nesta quinta-feira. Locatelli foi liberado após algumas horas e Borges passou 40 minutos detido junto com manifestantes.
O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, determinou que a Corregedoria da Polícia Militar apure os episódios envolvendo fotógrafos e cinegrafistas durante a manifestação.













