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Nunes exonera capitão da Rota suspeito de vazar informações para o PCC

Raphael Alves Mendonça atuou como assessor no gabinete do prefeito e chegou a integrar escolta de Nunes

São Paulo|Do Estadão Conteúdo

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A exoneração foi publicada nesta quarta, mas tem efeito retroativo ao dia 16 de janeiro
A exoneração foi publicada nesta quarta, mas tem efeito retroativo ao dia 16 de janeiro Mozart Gomes/Câmara São Paulo - 1.1.2025

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), exonerou nesta quarta-feira (30) o capitão da Polícia Militar Raphael Alves Mendonça, que atuou como assessor em seu gabinete e chegou a integrar a equipe responsável por sua escolta. Mendonça é suspeito de ter integrado um grupo de agentes de inteligência da Rota investigado por supostamente vazar informações de operações policiais para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele é investigado em liberdade.

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Mendonça, que chefiou a Agência de Inteligência da Rota no passado, trabalhava na Assessoria Policial Militar da Prefeitura desde junho de 2024 e desempenhava funções administrativas.

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“[Ele] Eventualmente, fez a escolta do prefeito em substituição a outros policiais militares que se encontravam em fruição de afastamentos regulares. Importante destacar que a seleção e movimentação desses profissionais são de responsabilidade da Polícia Militar”, disse a Prefeitura, em nota.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não se posicionou. A exoneração foi publicada nesta quarta, mas tem efeito retroativo ao dia 16 de janeiro.

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Investigação da PM

Segundo investigação da Corregedoria da Polícia Militar, policiais se infiltraram na Rota e em outras unidades da PM a mando do PCC. Eles se dividiram em três bases: uma com a missão de assassinar desafetos da facção, outra de inteligência e outra para fazer escoltas.

Alguns militares eram responsáveis pelo “cancelamento de CPFs” — assassinatos de rivais e desafetos. Outros abasteciam a facção com informações privilegiadas sobre operações policiais. O terceiro grupo cuidava da segurança pessoal de faccionados, entre eles o delator Antônio Vinícius Gritzbach, fuzilado na tarde de 8 de novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de São Paulo.

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As informações constam de um inquérito administrativo da PM que descobriu como policiais da Rota vazavam informações para o PCC a fim de proteger seus integrantes de prisões e de eventuais prejuízos a seus “negócios”.

Os grupos que se instalaram no quartel secular da Rota, uma notável construção de paredes amarelas da Avenida Tiradentes, na Luz, foram citados no pedido que a Corregedoria da PM enviou à Justiça de São Paulo para deflagração da operação que prendeu, na última quinta (16), quinze policiais militares supostamente ligados ao PCC e envolvidos com a execução de Gritzbach. No sábado (18), mais um militar, tenente da PM, foi preso em Osasco.

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“Todos sabiam para quem prestavam atividade de segurança, foram escolhidos para tal serviço por serem militares e valiam-se disto para encobrir e dar benefícios ao empresário em troca de dinheiro e favores (viagens, por exemplo)”, frisou a Corregedoria ao pedir a prisão dos agentes.

Segundo a Corregedoria, foi possível identificar uma “divisão ordenada de tarefas com objetivos previamente ajustados em torno dos crimes almejados pela organização, no caso dos militares, dar segurança e auxiliar na prática da lavagem de capitais perpetrada por Gritzbach, crime punido com pena máxima superior a quatro anos”.

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