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Obras irregulares ameaçam Serra da Cantareira

Reservatórios de água que abastecem nove milhões de pessoas na Grande SP ficam na região

São Paulo|Do R7

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Na Serra da Cantareira, ficam os reservatórios de água que abastecem nove milhões de pessoas
Na Serra da Cantareira, ficam os reservatórios de água que abastecem nove milhões de pessoas JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE

A falta de fiscalização de órgãos estaduais e a demora de até quatro anos na análise de licenças têm permitido a proliferação de construções irregulares na Serra da Cantareira, perto de Mairiporã, a 35 km da capital. É nessa região que ficam os reservatórios de água que abastecem 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo.

Quem relata os problemas são a Prefeitura de Mairiporã e o Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) do Ministério Público Estadual. Eles defendem que o governo municipal passe a ter autonomia para licenciar e fiscalizar novos empreendimentos, além de receber apoio da Polícia Militar Ambiental, por meio da Operação Delegada, para barrar o crescimento de bairros sobre a serra. Hoje quem libera e fiscaliza obras é a agência da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado) em Guarulhos, a 25 km.


Com cerca de 90 mil habitantes, Mairiporã tem 80% de seu território, o terceiro maior do Estado, congelado para construções desde 1976. Mas, de acordo com Antonio Carlos Nery Pinho, secretário de Meio Ambiente de Mairiporã, o congelamento não existe na prática.

— O Estado hoje não tem capacidade para fiscalizar as obras por aqui. A Cetesb não tem nem sequer escritório para dar suporte à população. Muita gente constrói sem licença, porque não nunca tem a resposta se pode ou não construir.


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Mesmo para projetos simples de residências, a legislação é rígida e torna o licenciamento complexo em Mairiporã, informa a Cetesb, que liberou cinco novos condomínios na cidade entre 2005 e 2013, de um total de oito solicitações. Outras construções irregulares, entretanto, se propagaram nos últimos anos em áreas de preservação, de mansões de veraneio a barracos em favelas, segundo o promotor do Gaema Ricardo Navarro.


— Temos uma bomba-relógio aqui em Mairiporã, que vão ser as desapropriações para a construção do rodoanel. Muitas famílias desapropriadas vão tentar se reacomodar por aqui. Por isso precisamos de mais fiscalização e de regras locais, com ajuda da PM.

Justiça

A Cetesb nega omissão na fiscalização, mas reconhece que a própria companhia tentou municipalizar o licenciamento ambiental, mas a iniciativa acabou barrada pela Justiça em 2009. A SOS Mata Atlântica também teme que a transferência para prefeituras da gestão de áreas de conservação facilite a liberação de condomínios de luxo.

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