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Opinião: flor que ganhou admiração de cobrador perde para violência iniciada pela PM

 Clima de tranquilidade se manteve até confronto na rua Maria Antonia

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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Quarto protesto foi marcado por violência e maior repressão policial
Quarto protesto foi marcado por violência e maior repressão policial ADRIANO LIMA/ESTADÃO CONTEÚDO

"Quando você assiste pela televisão, pensa que é um bando de louco, quebrando tudo. Não é nada disso aí". A frase é de Eliseu Martins, cobrador há nove meses em São Paulo e um dos presenteados com uma flor, dada a ele por uma manifestante, na altura da praça Roosevelt, no centro da capital paulista. Alguns metros adiante, entretanto, a paz daria lugar à violência.

A perspectiva de subir a rua da Consolação em direção à avenida Paulista era clara, tanto para os manifestantes do quarto protesto contra o aumento da passagem de ônibus, realizado na tarde desta quinta-feira (13), quanto para a PM (Polícia Militar). Tão logo o comboio de manifestantes avançou em direção ao cruzamento com a rua Maria Antônia, policiais da Tropa de Choque já posicionados desciam a rua com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.


Enquanto alguns corriam, outros manifestantes reagiram e devolveram a violência com paus, pedras e garrafas. A partir daí, os excessos aconteceram dos dois lados. A revolta dos manifestantes resultou em pichações, fogo em sacos de lixo e outros atos de vandalismo. Do lado policial, o uso excessivo da força foi testemunhado pela reportagem do R7. Em frente à Universidade Mackenzie, um homem que estava próximo às viaturas que desciam a rua em alta velocidade foi atingido com um cassetete, mesmo não tendo feito nada.

No trajeto da correria que se instalou a seguir, as flores foram se perdendo pelo caminho, entre lixeiras quebradas, pedaços de pedra e restos de morteiros atirados pela PM. No início da avenida Angélica, uma moça que não participava da manifestação foi atingida por um artefato não identificado e teve dificuldade para conseguir que uma viatura a levasse a um hospital próximo, apesar dos pedidos de quem estava no local.


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Entre a Doutor Arnaldo e a Pacaembu, a PM não se furtou em atirar bombas em meio aos carros de pessoas que só estavam passando pela região. Na correria, alguns manifestantes subiram em veículos que estavam parados no semáforo da Pacaembu, correndo em direção à praça Charles Miller. A Tropa de Choque seguiu atrás deles, até dispersá-los. Muitos jovens não escondiam o cansaço, a ponto de alguns terem se escondido em ruas menores da região, conforme a reportagem do R7 acompanhou de perto.

Em uma manifestação de cartas marcadas, da qual já se sabia o que se esperar de lado a lado, a PM atirou primeiro e o que se viu em seguida foi um enredo já conhecido. Um novo capítulo já tem data marcada: próxima segunda-feira (17), no largo da Batata. O cobrador Eliseu Martins, aquele que recebeu a flor quando imperava o clima de paz na manifestação, deixou uma mensagem de apoio ao movimento.

— Eu acho isso (a manifestação) bacana. Tem que lutar pelo que é certo, mesmo.

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