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Ouvidor de SP pede que PF investigue tiroteio entre policiais

Segundo o ouvidor, a entrada da Polícia Federal é necessária uma vez que há suspeita de ação ilegal das polícias de São Paulo e Minas Gerais

São Paulo|Do R7

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Troca de tiros ocorreu após descoberta de que R$14 milhões eram falsos
Troca de tiros ocorreu após descoberta de que R$14 milhões eram falsos

O ouvidor do Estado de São Paulo, Benedito Mariano, pediu a entrada da PF (Polícia Federal) na investigação sobre o tiroteio envolvendo agentes de São Paulo e de Minas, ocorrido na sexta em Juiz de Fora. O confronto acabou com dois empresários baleados e um policial mineiro morto. As apurações também serão acompanhadas por uma comissão de cinco promotores mineiros, criada nesta terça-feira (23) pelo Ministério Público.

Conforme as investigações iniciais, o empresário paulista Flávio de Souza Guimarães teria ido a Juiz de Fora trocar dólares por reais e, para isso, teria contratado uma empresa de segurança. Esta chamou para a escolta policiais civis. Em Minas, a outra parte na suposta negociação seria o também empresário Antonio Vasconcelos, que traria os reais. Ele também teria contratado policiais civis para escolta. A troca de tiros supostamente ocorreu após ter sido descoberto que os reais, cerca de R$ 14 milhões, seriam falsos.

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Veja fotos da apreensão de R$ 14 milhões em dinheiro

O secretário de Segurança de Minas, Sérgio Barbosa Menezes, disse à imprensa nesta terça que a apreensão poderia justificar a entrada no caso da PF. "A investigação desse crime (falsificação de dinheiro) é da PF", ressaltou, destacando que as duas polícias estaduais vêm trabalhando em conjunto.

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De acordo com Benedito Mariano, "a apuração trabalha com vários crimes: homicídio, lavagem de dinheiro, prevaricação (por parte dos mineiros), estelionato e organização criminosa" e a entrada dos agentes federais se faz necessária pelo fato de haver policiais de dois Estados sob suspeita de ação ilegal. A solicitação foi feita tanto à PF quanto ao ministro da Segurança Raul Jungmann. A Polícia Federal informou que recebeu o ofício da Ouvidoria. A análise dependeria também da competência do caso passar da esfera da Justiça estadual para a federal.

Ainda em Minas, o procurador-geral de Justiça, Darcy de Souza Filho, determinou o acompanhamento do caso por uma força-tarefa especial. Ela será formada pelos promotores Juvenal Martins Folly e Cleverson Raymundo Sbarzi Guedes, da Comarca de Juiz de Fora; pela procuradora de Justiça Cássia Virgínia Serra Teixeira Gontijo, coordenadora do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado); e pelos promotores Rodrigo Gonçalves Fonte Boa e Luiz Felipe de Miranda Cheib, também do Gaeco.

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Quatro policiais civis de São Paulo estão presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Jerônimo da Silva Leal Júnior, que seria o dono da empresa de segurança contratada pelo empresário paulista, foi baleado no abdome e continua internado em estado grave no Hospital Monte Sinai. Todos tiveram prisão temporária convertida em preventiva. A participação de policiais civis de Minas Gerais no caso é investigada, mas ninguém foi preso até agora.

Na segunda-feira (22), Flávio Guimarães, em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, disse que, na verdade, teria viajado a Minas para pedir empréstimo para sua empresa.

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Veja também: Os detalhes da ação desastrosa que acabou em tiroteio entre policiais

Sem antecedentes

Os policiais paulistas envolvidos não tinham antecedentes de infrações funcionais graves. O delegado Rodrigo Castro Salgado da Costa, de 31 anos, do GOE (Grupo de Operações Especiais), seria amigo do investigador Jorge Alexandre de Miranda, de 50 anos, que por sua vez é meio-irmão de Leal Junior. O dono da empresa de segurança teria conversado com Miranda sobre o trabalho, pedindo que o ajudasse a recrutar policiais para escolta. O convite chegou a Costa que, por sua vez, exigiu que outros policiais, seus amigos, participassem da operação.

Os detalhes do "desacerto", o desentendimento que resultou no tiroteio no estacionamento, ainda não estão claros. O agente mineiro Rodrigo Francisco, de 36 anos, foi morto no confronto em Juiz de Fora.

O empresário Flávio Guimarães afirmou na segunda-feira ter sido vítima de um "golpe", após pedir um empréstimo - de "R$ 6 milhões a R$ 8 milhões" - ao doleiro Antônio Vasconcelos. Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, ele negou a troca de dólares, disse não saber do uso de notas falsas e refutou qualquer viés político no caso.

Guimarães alegou ser "presidente executivo do Grupo AJC, voltado para o mercado de engenharia", que estaria passando por "dificuldades financeiras". Seus superiores teriam aprovado a negociação.

No termo oficial registrado, Guimarães rejeita "qualquer vinculação dos fatos narrados com atividade político-partidária de qualquer espécie ou viés". "Refutando especialmente qualquer alegação no sentido de caixa dois eleitoral."

No depoimento, contou ter entrado em contato com o mineiro por meio de um empregado. "Nessas tratativas, discutiram sobre a forma de garantia que seria ofertada, sendo que a empresa não possuía condições de ofertar garantia em moeda ou fiança bancária, restando garantia real (imóveis), sobre o que inclusive foi elaborado uma minuta de contrato de mútuo em Minas Gerais", consta, no termo de declarações.

Ele afirmou que chegou a convidar Vasconcelos e seu funcionário para fechar o negócio em São Paulo, mas o doleiro teria se recusado e pedido para que fosse até Minas para "prosseguir as tratativas". Foi quando seguiu para Juiz de Fora, acompanhado do advogado da empresa, Mario Garcia Júnior, e do diretor Roberto Uyvari Júnior.

Guimarães afirmou que a empresa de Jerônimo da Silva Leal Júnior já prestava serviços de segurança para o grupo AJC. E R$ 30 mil teriam sido pagos para garantir a escolta. Ele alega não conhecer os agentes envolvidos e nega ter levado "qualquer quantia de dinheiro em moeda estrangeira e nacional".

No relato subsequente, admite ter ido até o estacionamento onde ocorreu o tiroteio. O empresário afirma que Vasconcelos abriu o porta-malas de um veículo, onde havia as malas com as notas de R$ 100, e teria insistido para que levasse o dinheiro. Guimarães afirmou ter recusado "sob o argumento de que não fora aquele o combinado contratualmente, entrando em pânico". "Nesse momento, tentou-se impedir a saída do declarante, que se desvencilhou, buscando o elevador como saída, enquanto Jerônimo sacava sua arma de fogo e abordava Antônio Vasconcelos, estando o Dr. Rodrigo (delegado) no mesmo local, deixando o declarante todos para trás e retornando de imediato para o hotel."

Veja também: Polícia investiga câmeras para confrontar versões após tiroteio

'Vítimas'

Procurados, a AJC Group e os executivos Flávio de Souza Guimarães e Roberto Uyvari Junior afirmaram que foram "vítimas de uma tentativa de golpe" e estão colaborando com as autoridades mineiras e paulistas "para o esclarecimento dos fatos". O advogado Garcia Júnior afirmou que "não esteve no local das imagens gravadas e só soube da tentativa de golpe contra seu cliente minutos depois do ocorrido". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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