Para defesa, coronel foi morto um dia depois de suposta data do crime
Mãe da vítima afirmou que assistente de acusação sabe quem matou Ubiratan
São Paulo|Vanessa Beltrão, do R7

Em clima tenso, a defesa de Carla Cepollina lançou dúvidas sobre a data e o horário do assassinato do coronel Ubiratan Guimarães. As afirmações foram feitas na fase de debates na tarde desta quarta-feira (7), no terceiro dia do julgamento, no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista.
Segundo os advogados da acusada, o coronel foi assassinado no domingo pela manhã, 10 de setembro de 2006, contrariando a tese da acusação de que o crime teria ocorrido por volta das 19h do sábado, horário em que a acusada estava no apartamento da vítima. Uma das questões levantadas pela advogada de defesa e mãe da acusada, Liliana Prinzivalli é de que no domingo, a Carla Cepollina mandou um torpedo para o coronel às 8h21 mas o SMS foi recebido pelo Ubiratan às 11h27 do mesmo dia. “O próprio coronel ou outra pessoa ligou o aparelho”, afirmou. Liliana se baseou na informação repassada pela operadora de celular de que as mensagens pendentes são visualizadas quando a pessoa liga o telefone.
Outro questionamento feito pela defesa se baseia no laudo do IML que atesta que o crime aconteceu de 18 a 20 horas antes da necropsia. O corpo de Ubiratan foi levado às 2h17 da segunda-feira (10) ao IML. Como não se tem o horário exato da necropsia, os advogados de defesa estimaram que por volta das 5h os trabalhos começaram.
Levando em consideração essa estimativa e o tempo contido no laudo do IML, a morte teria ocorrido no domingo pela manhã e não no sábado. A advogada Liliana Prinzivalli e mãe da acusada afirmou que “Carla foi usada como tapa buraco” e que é “tudo delírio” as provas apresentadas pela acusação. A magistrada ainda acusou o assistente de acusação, o advogado, Vicente Cascione, de estar acobertando o responsável pelo crime.
— Eu sempre tive certeza absoluta de que ele sabe quem foi. Ele agiu em defesa de quem matou o coronel Ubiratan. O clima ficou tenso também entre a magistrada e o promotor de justiça João Carlos Calsavara. O desentendimento aconteceu quando Liliana afirmou que o assistente de acusação, Vicente Cascione, não estava no primeiro dia do julgamento e que o promotor teria enviado uma mensagem para que ele fosse até o fórum rapidamente. Questionada sobre a veracidade do que tinha dito, a advogada teve que se explicar. — Eu não sei se ele ligou ou mandou mensagem.
A afirmação não foi suficiente para o promotor, que se exaltou.
— A senhora retira o que falou de mim. É a minha honra. Então não minta.
— Olha, quem mente é o senhor. A plateia chegou a se manifestar, mas foi advertida pelo juiz Bruno Ronchetti. Ainda na troca de farpas entre acusação e defesa, Liliana falou que o assistente de acusação Cascione tem “um ego maior do que esse tribunal”. A advogada também falou sobre o comportamento da filha nos últimos seis anos. Segundo Liliana, a filha emagreceu 16 quilos e se transformou numa pessoa magoada e que não frequentava mais lugar nenhum.
— Eu daria a minha vida para saber quem colocou a minha família e a do coronel nesta situação.
Também questionou a acusação de que Carla Cepollina teria enviado SMS, se passando pelo coronel, para a delegada de Polícia Federal Renata Azevedo dos Santos Madi, apontada como pivô da briga entre Ubiratan e Carla Cepollina. “Seria tão burra de mandar torpedos para uma pessoa que ela não conhece”, questionou.
Após falar por mais de 30 minutos, foi a vez do outro advogado de defesa, Eugênio Malavasi. O magistrado se concentrou na preocupação com a segurança do prédio do coronel Ubiratan Guimarães citada em alguns depoimentos e também no relato de alguns moradores que disseram não ouvir barulho no apartamento da vítima, no dia do crime. Lançou dúvidas novamente sobre o data e o horário do assassinato.
Carla Cepollina é acusada de matar o coronel Ubiratan Guimarães em 2006. De acordo com a defesa, o tiro que matou a vítima foi disparado pela advogada após uma briga entre o casal motivada por mensagens de celular trocadas com uma suposta amante, a delegada federal Renata Azevedo dos Santos Madi.













