Para especialistas, dia de greve foi restrito a movimentos organizados
Manifestações da greve geral aconteceram em cidades de todos Estados e Distrito Federal nesta sexta-feira (14), contra a reforma da Previdência
São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

Cidades de todos Estados brasileiros e Distrito Federal viram manifestações e paralisações ao longo de toda esta sexta-feira (14), devido ao dia marcado como greve geral contra a reforma da Previdência. No entanto, para especialistas, o movimento foi menor do que se esperava e ficou restrito a organizações sociais e sindicais.
“A greve serviu para demonstrar que há um foco de descontentamento com relação ao governo Bolsonaro, porém ficou aquém do que se imaginava que teria como alcance. Ficou muito restrita aos movimentos sindicais e sociais organizados, que notadamente são de oposição ao governo. Aparentemente, não conseguiu se radiar para população em geral”, avalia o professor Rogério Baptistini, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Para o cientista político Sérgio Praça, professor da FGV-CPDOC (Fundação Getulio Vargas — Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil), a greve demonstrou "a falta de capacidade de a oposição aproveitar a fraqueza do governo".
"Estamos vivendo um momento de oposição fraca e governo fraco simultaneamente. Além disso, os sindicatos perderam muito poder na reforma trabalhista e com o fim do imposto sindical. Eles não têm mais dinheiro para mobilização como tinham antes e atuavam muito com o PT”, disse Praça.
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De acordo com o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, o resultado da paralisação foi “muito positivo”. Freitas afirma que o movimento “deixou claro que o Brasil é contra a reforma da previdência”.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores afirma que a greve geral atingiu diversos setores além do transporte público. “Temos greve no setor bancário, no serviço público, as montadoras todas participando e o setor de educação com muita ênfase”, avaliou.
Na avaliação de Baptistini, o primeiro movimento de manifestações promovidas por estudantes em defesa da educação, em 15 de maio, “foi muito mais empolgante como uma manifestação de alerta ao governo, que demonstrou descontentamento da população, do que essa greve planejada com antecedência”.
Um balanço conjunto divulgado pela CUT e as outras centrais sindicais no final da manhã apontou que 45 milhões de pessoas foram envolvidas no movimento. As centrais também divulgaram registro de manifestações em todas as capitais brasileiras.
O professor acredita que a greve evidencia que as centrais sindicais não devem ser consideradas entre as principais inimigas do governo. “As centrais não são adversárias a serem temidas, o problema do governo está muito mais em uma questão que transcende ao movimento organizado, como os vazamentos e a agenda reformista e a forma de conduzi-la no segundo semestre”.
‘Indiferença do governo’
De acordo com Baptistini, o governo Bolsonaro adotou, durante a greve desta sexta-feira, a mesma postura que tem desde o início do mandato, que é de ignorar os protestos de grupos conhecidamente de oposição.
“Bolsonaro optou por ignorar os movimentos sociais e sindicais organizados, que ele identifica como a velha política e a esquerda. Ao fazer isso, ele deixa de trazer para o debate sobre as reformas um setor que realmente existe e deveria ser levado em conta como interlocutor. Essa indiferença do governo é a forma acontece desde o início”.
O cientista político Praça acredita que a baixa adesão à greve geral foi positiva para o governo, mas não há muito o que comemorar, já que novas crises deixam o futuro imprevisível.
Para a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, as manifestações contra a reforma da Previdência foram "um fiasco". Segundo ela, "manifestação a gente faz no final de semana, dia de semana é para produzir".
A deputada afirma que os manifestantes não conseguiram cumprir o que haviam prometido. "O máximo que fizeram foi interromper uma ou outra rodovia para criar uma sensação de que tem muita gente no congestionamento, mas o País continua andando".













