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Para manter qualidade de vida alta, prefeito de São Caetano do Sul quer frear novos moradores

Cidade do ABC Paulista ficou no topo das melhores para se viver pelo terceiro ano

São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

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Para prefeito, saúde e educação são pontos fortes da cidade
Para prefeito, saúde e educação são pontos fortes da cidade

Pela 3ª vez consecutiva no topo do ranking das cidades brasileiras com maior IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), São Caetano do Sul, no ABC paulista, tem na educação uma das explicações para os bons resultados conquistados nas últimas décadas. A avaliação é do prefeito Paulo Pinheiro, que iniciou sua gestão no início deste ano.

— Acho que a educação é primordial, porque um povo educado exige saúde, exige mobilidade. Está sempre reivindicando, sempre contribuindo com sugestões, porque é um povo culto. (...) E o administrador, o gestor, ouvindo os reclames da população, procurou por em prática.


De acordo com dados da prefeitura, São Caetano do Sul é líder em escolaridade no Estado de São Paulo desde o início do levantamento do Índice Paulista de Responsabilidade Social, da Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), em 2003. Ainda conforme a prefeitura, não há déficit de vagas nas escolas municipais e nas creches e a cidade foi uma das três de São Paulo a conquistar o Selo de Município Livre do Analfabetismo, concedido pelo Ministério da Educação, em 2007.

Ao falar da qualidade dos serviços públicos da cidade, Paulo Pinheiro destaca o trabalho realizado por seus antecessores.


— Isso nos orgulha muito, porque a gente vê que os gestores que já passaram por aqui fizeram sua parte, contribuiram bastante para que a São Caetano continuasse nessa qualidade de serviços que esses índices estão comprovando.

O atual chefe do Executivo enfatiza ainda o progressivo crescimento do IDHM do município, apresentado nas últimas edições do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A versão 2013 foi elaborada com base nos dados do Censo de 2010. O estudo avaliou 5.565 municípios do País, e, ao todo, foram analisados 180 indicadores de demografia, saúde, educação, habitação, renda e inclusão no mercado de trabalho e vulnerabilidade.


— Em 1991, ficamos com 0,697 (IDHM). No ano 2000, passou para 0,820 e, em 2010,para 0,862. Então, foi sempre melhor do que a vez anterior. Isso demonstra que ninguém parou no tempo, deixou os serviços estagnados, cada vez se preocupou em melhorar. E, consequentemente, foram melhorando os índices.

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Saúde

Pinheiro também aponta a saúde como um dos pontos de destaque do município, mas ressalta que, assim como na educação, há o que aprimorar. Para garantir que São Caetano do Sul continue com bom desempenho, a receita, segundo o prefeito, é manter os serviços que existem e melhorá-los.

— Saúde nunca está em excelência. Por mais que você faça, sempre precisa melhorar. Educação, pela evolução tecnológica e outros assuntos pertinentes, a gente vai procurar atualizar a prática do ensino, procurar ver métodos que os alunos assimilem melhor o ensino e, com certeza, outros serviços vão vir, porque os moradores vão reclamar, reivindicar, sugerir. 

Para o chefe do Executivo, a educação e a saúde “diferenciadas” influenciaram diretamente na expectativa de vida dos moradores locais.

— Aqui é a cidade com a maior longevidade do Brasil. A expectativa de vida no País é de 72 anos e, em São Caetano, é de 78 anos. Então, tudo isso se deve à educação e à saúde, que são boas e diferenciadas das outras cidades.

Legado

À frente da prefeitura de São Caetano do Sul entre 2005 e 2012, José Auricchio Junior, atual secretário de Estado de Esportes, Lazer e Juventude, também elenca a saúde e a educação como os pontos fortes de São Caetano do Sul, responsáveis, entre outros, pela posição destacada no ranking do "Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil".

— No quesito educação, ela tem uma continuidade de investimentos desde o seu surgimento. Todos os prefeitos que passaram se preocuparam com investimentos na educação. Acho que na saúde, sem querer fazer elogio em boca própria, nós tivemos um papel fundamental do ponto de vista de intervenção, criando um sistema de saúde próprio no município, criando políticas públicas voltadas, sobretudo, para a terceira idade, que foi onde tivemos o maior avanço na questão da longevidade, de tal forma que essas ficam como as duas vertentes maiores.

Inchaço

Ser considerada a melhor cidade para se viver no Brasil faz de São Caetano do Sul um destino atraente. Na tentativa de frear a chegada de novos moradores, provocando adensamento e comprometendo a qualidade dos serviços, a prefeitura está dificultando a construção de prédios residenciais.

Com 15 km² de área, o município tem população de 149,2 mil habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo a prefeitura, 100% das moradias possuem água encanada e 100% do esgoto é coletado e tratado.

— Estou querendo dificultar a construção de prédios de residências, porque a qualidade de serviço é tão boa e o gasto que a gente tem com esses serviços é maior do que o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) que esse novo morador venha a dar para São Caetano. IPTU só não resolve o problema. Se viessem novos moradores, com novas indústrias, novas empresas de prestação de serviços, tudo bem. 

A grande procura torna alto o custo de vida na cidade.

— Logicamente, por ter bons serviços, fica uma cidade cara, porque todo mundo quer vir morar aqui. Aí, falta oferta de residências e a procura é maior do que a oferta e, então, há o aumento de preços. A cidade fica mais cara.

Dívida

Apesar do desenvolvimento, São Caetano do Sul se vê às voltas com problemas financeiros. Ao assumir sua gestão, o prefeito Paulo Pinheiro alegou que havia herdado uma dívida histórica da administração anterior. O valor seria de R$ 264,5 milhões, segundo ele, o equivalente a pouco mais de 30% do orçamento vigente neste ano.

Dizendo-se “preocupado”, Pinheiro afirma que já conseguiu quitar parte da dívida.

— Já paguei, mais ou menos, R$ 77 milhões, só com encargos que foram deixados para mim. Se eu estivesse empregado esse dinheiro na cidade, já estariam bem melhores os serviços, mas, infelizmente, tive que arcar com essas despesas e pagar.

Ele completa:

— Quando a gente esbarra numa dívida dessa, que todo dinheiro que a gente ganha está comprometido com pagamentos de uma despesa que nós não fizemos, é ruim. Já pensou gastar esses R$ 264 milhões a serviço do município? E eu vou deixar de ter esse serviço, porque vou ter que pagar o que o outro deixou. É ruim para mim. Mas prefiro falar de coisas alegres. Que a cidade continue em primeiro lugar em IDHM, que a população ajude o seu administrador a melhorar ainda mais os seus serviços. O que a gente quer é isso. Povo feliz, governante feliz. É isso que a gente pretende para São Caetano.

Questionado sobre a dívida, José Auricchio Junior disse que não queria “entrar na polêmica”.

— Estamos aqui para falar do IDHM. O resultado por si fala o que nós fizemos na cidade. A obrigação deles agora é manter isso.

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