"Para mim, não é ser humano", diz tio sobre suspeito de abusar sexualmente de jovem grávida em UTI
Segundo ele, estado de saúde da sobrinha é "grave e delicado"; bebê passa bem
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

O discurso indignado de Luiz Menezes, tio da estudante que teria sofrido abuso sexual dentro da UTI do Hospital Estadual Guilherme Álvaro, em Santos, no litoral de São Paulo, sinaliza a dimensão do abalo que o caso provocou na família. Grávida de quatro meses, a jovem, de 22 anos, internada com tuberculose, denunciou ter sido tocada nas partes íntimase surpreendida com gestos obscenos do auxiliar de enfermagem que lhe dava a medicação durante o período noturno. O episódio teria acontecido no último sábado (29).
Menezes conta que os parentes ficaram “atordoados” após o relato da estudante, que, segundo ele, tem permanecido sedada 24 horas por dia.
— A gente não sabe nem o que faz. Ela estava indefesa, praticamente amarrada através de soro, grávida. Vem um animal fazer o que ele fez. Para mim, não é um ser humano. Um ser humano não faria isso nunca. Além de ele ser um homem, ter um porte físico avantajado, não teria como ela se proteger.
De acordo com ele, o estado de saúde da sobrinha é “grave e delicado” e há chances de ela ser submetida a um procedimento cirúrgico.
— Ela tinha uma bolha de ar no pulmão e a bolha se rompeu. O ar que estava dentro da bolha acabou contraindo o pulmão. Eles drenaram o ar, só que pode ser que talvez ela tenha de fazer uma cirurgia torácica para desobstruir o pulmão, que ficou contraído. Estão cogitando fazer uma operação. Ela está sedada 24 horas. É como se fosse um coma induzido. Hoje (terça-feira), abriu os olhos uma vez, mas fechou logo.
Menezes diz ainda que “está tudo certo” com o bebê que a estudante espera e revela que a criança é do sexo masculino.
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Depoimento
Nesta quarta-feira (3), Luiz Menezes prestará depoimento na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Santos, onde o caso é investigado.
Concursado, o auxiliar de enfermagem Rogerio Trindade, de 47 anos, trabalhava no hospital há dez anos. O homem, que está preso, já era suspeito de estupro e atentado violento ao pudor.
Em nota, o Hospital Guilherme Álvaro esclareceu que “observa atentamente a legislação brasileira para empossar os funcionários aprovados em concursos”. Destacou ainda que a “investigação de conduta criminosa anterior não cabe ao Estado, e sim à Justiça criminal. A legislação para concursos não prevê exigência de atestados de antecedentes criminais”. Finalmente, enfatizou que o hospital “está à disposição da polícia para auxiliar no esclarecimento do caso”.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde afirmou que não tem autorização dos familiares da estudante para informar sobre o quadro clínico da jovem. Reiterou que foi aberta sindicância para apurar o caso e que o auxiliar de enfermagem foi imediatamente afastado de suas funções.
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