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Para promotora, advogado acusado de matar artista plástica é agressivo e demonstra desvio de caráter

Sérgio Gadelha deverá ser ouvido nesta sexta-feira, na última audiência de instrução do caso

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Hiromi tinha 57 anos e vivia havia pouco mais de um ano com Sérgio Gadelha
Hiromi tinha 57 anos e vivia havia pouco mais de um ano com Sérgio Gadelha

Nove meses após a morte da artista plástica Hiromi Sato, em Higienópolis, região central de São Paulo, o companheiro dela, o advogado Sérgio Brasil Gadelha, deverá ser ouvido pela Justiça na tarde desta sexta-feira (31). Ele confessou ter assassinado a vítima durante uma briga, no apartamento onde moravam.

A promotora do caso, Solange Azevedo Beretta, destaca o perfil agressivo de Gadelha.


— Me parece uma pessoa extremamente agressiva, violenta e uma pessoa que não mede esforços para denegrir a imagem da vítima, demonstra um certo desvio de caráter. [...] A agressividade dele também é estampada naquilo que ele fala, na forma como ele se coloca no próprio processo. Como ele é advogado, ele acaba peticionando nos autos, tem juntado e-mails pessoais, tem denegrido a imagem da vítima.

Essa postura foi usada pelo Ministério Público como um dos argumentos para pedir a revogação da prisão domiciliar de Gadelha. O Tribunal de Justiça decidiu, na quinta-feira (30), que o réu não deverá mais ficar em casa. Por ser advogado, ele tem direito a uma cela especial, em um quartel da Polícia Militar. Ainda não há definição de quando ele deverá ser transferido.


A irmã da vítima, Tomi Sato, comemorou a decisão e se disse esperançosa em relação à punição do acusado.

— O sentimento foi de que ainda a gente pode confiar na Justiça, que existem pessoas que vão trabalhar a favor da sociedade e observar melhor quando existe um crime dessa natureza, e não julgar simplesmente pelo que o réu esta dizendo. Graças a Deus ainda existem pessoas no judiciário que têm consciência.


Uma preocupação da promotora é com a escolta de Gadelha ao Fórum da Barra Funda nesta tarde. Segundo ela, por duas vezes, o juiz permitiu que o réu fosse ao dentista sozinho.

— O que eu tenho é a autorização do juízo em duas ocasiões para um tratamento odontológico e nessas duas ocasiões o juízo não tomou as providências que tinha que tomar para que ele fosse escoltado. Ele foi sozinho.


Essa será a última audiência de instrução do caso — fase em que o juiz ouve as testemunhas e o réu antes de decidir se ele irá ou não a júri popular. O assistente de acusação, Marco Aurélio Gonçalves Cruz, explicou que a decisão deverá demorar um pouco por se tratar de um processo grande e complexo.

O crime

Sérgio Gadelha foi preso logo após o crime. Ele ligou para uma filha, que estava em Santa Catarina, e contou o que havia acontecido. Ela pegou um avião e voltou para São Paulo. No apartamento, a filha do advogado colocou o corpo na cama e chamou a polícia. Quando os policiais militares chegaram, encontraram o acusado calmo, com uma garrafa de bebida alcoólica, assistindo televisão. A vítima tinha diversas marcas de agressão e teria sido estrangulada.

Na delegacia, o réu falou que discutiu com Hiromi por ciúmes que passou a agredi-la. Esse tipo de comportamento, segundo a promotora do caso, já havia se repetido no mesmo apartamento, com a mulher anterior. O casal morava junto há pouco mais de um ano.

— Existem testemunhas que afirmam a ocorrência de briga, inclusive, em locais públicos, nos quais ele agredia. Ele chegou a residir com a segunda esposa nesse mesmo edifício, e os vizinhos que ainda estão ali relatam as brigas.

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