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Pela 1ª vez, acusado de liderar black blocs é condenado em SP

Acusado de associação criminosa, motorista de lotação terá de prestar serviços à comunidade

São Paulo|Alvaro Magalhães, do R7

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Homem identificado como Roza atira extintor em concessionária
Homem identificado como Roza atira extintor em concessionária

A Justiça condenou, pela primeira vez, um acusado de liderar black blocs no Estado de São Paulo por associação criminosa (nova denominação para formação de quadrilha). Trata-se do mecânico e motorista de lotação João Antônio Alves de Roza, de 47 anos. Ainda cabe recurso.

Roza foi apontado pela polícia como o manifestante que, em 19 de junho de 2014, usava um capacete e pegou um extintor de incêndio para danificar a vitrine de uma concessionária da rede Caltabiano na marginal Pinheiros.


A pena, de um ano de reclusão, foi substituída por prestação de serviço à comunidade pelo juiz André Carvalho e Silva de Almeida, da 30ª Vara Criminal. O tipo de serviço ainda não está definido — deve ser estipulado pela Vara de Execuções Penais.

Questionada pelo R7, a Defensoria Pública, que defendeu o réu, afirmou que ainda não foi notificada sobre a decisão. “Tão logo isso ocorra, as estratégias da defesa serão discutidas em conjunto com o assistido”, afirmou o órgão em nota.


A reportagem não conseguiu contato direto com Roza.

O mecânico foi acusado pelo Ministério Público por dano ao patrimônio privado e associação criminosa. O juiz, porém, desconsiderou a primeira acusação, já que esse tipo de crime depende de queixa feita pela vítima, o que não ocorreu.


Roza, no dia em que foi preso, após passar pelo IML
Roza, no dia em que foi preso, após passar pelo IML

Reconhecido pela TV

Na sentença, proferida na terça-feira passada (30), o magistrado afirma que, durante o processo, foram ouvidas três testemunhas de acusação. O réu não foi interrogado por não ter sido encontrado.


Entre as provas citadas na decisão, está o depoimento do investigador da Polícia Civil Douglas Souza.

Uma semana antes do ataque à concessionária, Souza infiltrou-se no sindicato dos metroviários, no Tatuapé, de onde manifestantes anti-Copa 2014, cercados pela Polícia Militar, atiravam bomba. Naquele dia, em que a seleção brasileira fazia sua estreia, o investigador afirma ter identificado Roza como líder dos mascarados.

O mesmo policial disse, em depoimento à Justiça, ter reconhecido Roza ao assistir, pela televisão, às imagens da depredação.

Outra prova citada pelo juiz é o depoimento do cabo da Polícia Militar Aurélio da Silva, que trabalhou no dia da depredação do veículo e negociava o trajeto do protesto com os líderes do MPL. O cabo disse em depoimento que, embora não tenha conversado com Roza, percebeu que, durante o ato, ele dizia algo como: “Hoje o bicho vai pegar”.

Em sua decisão, o juiz Almeida afirma: “Não se trata aqui, é bom frisar, de se punir o direito à reunião de pessoas para o fim de protestar contra atos do governo ou outras questões de interesse social, mas de se concluir que os ‘black blocs’ ultrapassaram aquele direito ao se juntarem com o único objetivo de afrontarem o 'Estado', para tanto cometendo crimes.”

27 dias presos

O protesto em que ocorreu o ataque à concessionária havia sido foi convocado pelo MPL (Movimento Passe Livre) com objetivo de pedir tarifa zero e de comemorar um ano das manifestações que barraram o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo.

A Polícia Militar, que ficou afastada durante toda a manifestação, demorou mais de meia hora para intervir durante a depredação. Quando a Tropa de Choque apareceu, o grupo que invadiu a concessionária já tinha corrido em direção ao largo da Batata. Questionada sobre a demora em agir, a PM disse que atendeu a um pedido do MPL

Em 2014, Roza chegou a ficar 27 dias preso. Ele foi capturado no dia 2 de julho, em São Mateus, onde morava, duas semanas após a depredação da Caltabiano. Como, até o dia 28 a loja não havia prestado queixa, o juiz Almeida decidiu soltá-lo.

“Nada mais justifica a permanência do réu no cárcere. Remanesce apenas o crime de associação criminosa cuja pena, acaso ocorra condenação, permite a concessão de benefícios legais, reforçando a inconveniência, agora, da manutenção da prisão preventiva", escreveu o magistrado na época.

Hideki absolvido

No fim do mês passado saiu outra decisão da Justiça a respeito de detidos durante manifestações. O estudante Fábio Hideki Harano e o professor de inglês Rafael Lusvarghi foram absolvidos das acusações de desobediência, incitação ao crime, associação criminosa e resistência. Eles já haviam sido absolvidos de porte de material explosivo. Ambos haviam sido detidos em 23 de junho de 2014.

A primeira condenação de um manifestante após a onda de protestos iniciada em junho de 2013 foi a do morador de rua Rafael Braga Vieira, preso no dia 20 de junho daquele ano durante manifestação no centro do Rio.

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