'Perdi a minha ferramenta de trabalho na chuva’, relata motoboy
Família de Santo André (Grande SP) diz que já perdeu pelo menos dois carros, duas motos, os móveis e as papeladas de trabalho
São Paulo|Carolina Vilela, do R7*

São Paulo amanheceu embaixo d’água após uma tempestade que começou na noite deste domingo (10). “Tinha de 20 a 25 anos que não enchia desse jeito”, afirmou Luis Antônio Furtado Merino, 60 anos, que perdeu tudo por conta da enchente.
Merino mora na Vila Sacadura Cabral, em Santo André — divisa com São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, na região do ABC paulista, e relatou ao R7 que estava em casa com a família quando começou a chover. “Ficamos aqui porque não pensamos que fosse alagar”.
A família de Merino ainda não tem ideia de tudo o que perderam, mas já contabilizaram a perda de dois carros, duas motos, além de móveis e papeladas. “Eu perdi a minha ferramenta de trabalho”, lamentou Merino, que trabalha como motoboy.
“Estamos tentando recuperar um carro com a ajuda do vizinho, que é mecânico. Esse não tem seguro”, lamentou o idoso, que relatou que apenas um bombeiro passou pela região, a pé, perguntando se eles precisavam de ajuda.
“Ainda não caiu a ficha. Olhando tudo, dá vontade de chorar”, desabafa. A família tentou entrar em contato tanto com a Desefa civil quanto com o vice-prefeito da cidade, mas não conseguiram falar.
"A água subiu em uma hora"
A fonoaudióloga Ariadnes Spichencoff, 30 anos, também perdeu tudo na enchente. “Ainda não sei tudo, mas pelo vídeo que fiz, eu perdi geladeira, armários, eletrodomésticos, minhas roupas, maquiagem e documento.”
Ariadnes mora em São Bernardo do Campo há três anos e, desde que se mudou, nunca tinha visto encher nesta proporção. “Desde que eles arrumaram o piscinão há três anos, isso não acontecia mais. Tinha alagamento, mas não nessa proporção”, afirmou.
“Entrou água na minha casa, na altura do peito. Não tinha como ficar lá”, relatou a fonoaudióloga, que mora em um prédio no térreo, e passou a noite na casa de uma vizinha que mora no terceiro andar.
Ariadnes relatou carros que boiavam e eram arrastados pela correnteza. “Foi muito assustador, a água subiu em uma hora.”
*Estagiária do R7 sob supervisão de Leonardo Martins













