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“Perdi tudo”, diz dona de salão de beleza que teve prejuízo de R$ 250 mil com enxurrada em SP

Comerciantes lamentam estragos causados pela chuva no último fim de semana 

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Após o temporal de sexta-feira (8), móveis e objetos ficaram espalhados nas calçadas da rua Gaivota (foto)
Após o temporal de sexta-feira (8), móveis e objetos ficaram espalhados nas calçadas da rua Gaivota (foto)

“Até sexta-feira, eu tinha um salão de beleza avaliado em R$ 250 mil e que empregava 19 pessoas. Eu tinha um carro. Hoje, eu não tenho nada”. Este é o relato da dona do Studio Felix, Vania Felix Novais, após as chuvas do último fim de semana. Na tarde desta terça-feira (12), quando falou ao R7, a empresária estava demitindo 12 funcionários.

A enxurrada que se formou na rua Gaivota próximo à avenida Ibijaú, em Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo, invadiu o salão de Vania. Ela contou que viveu momentos de horror.


— Na sexta-feira, a água subiu 2 m. Havia clientes e funcionários dentro do salão. O pessoal só não morreu porque existia um segundo andar. No sábado, voltou a encher. Eu estava no local com o meu marido e fiquei ilhada.

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Vania conta que paga cerca de R$ 700 por mês de IPTU — quase R$ 8.500 ao ano. Ela não tinha seguro do salão, apenas do carro, que custa R$ 64 mil e ficou submerso, assim com muitos outros na rua.


— Eu perdi tudo. Tinha dez cadeiras de cabeleireiro, dez de manicure, uma recepção, computador, produtos, máquina de café, uma loja de roupas. A água estragou as espumas das poltronas, a madeira dos móveis, não deu para aproveitar nada.

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Ela aluga o imóvel há cinco anos e diz que nunca viu uma enchente como essa.

— Já aconteceu uma vez, mas nunca desse tipo, de perder tudo. Aconteceu aquela que você tem de limpar, lavar, mas a água não passou dos móveis.

A empresária não foi a única afetada na região. A água atingiu mais de 1 m de altura na loja Artemcasa Enxovais. A vitrine foi arrebentada pela força da enxurrada e o prejuízo é estimado em cerca de R$ 100 mil, segundo Giselle Nunes, filha da dona do local, Nair Nunes.

Problema recorrente

Segundo Giselle, o problema já se repete há quatro anos.

— Temos tido contato com a subprefeitura, mas, até hoje, nenhuma providência foi tomada para que isso não se repita mais. Acreditamos que, devido à construção de um muro, realizada por um prédio vizinho, a passagem do fluxo de água foi interrompida, o que tem feito das ruas Gaivota e Ibijaú um verdadeiro piscinão.

A outra filha da empresária, Marcelle Comi, ainda falou que, depois disso, quer que a mãe retire a loja do local, onde está em um imóvel alugado há cerca de dez anos.

— Minha mãe paga R$ 16 mil por ano de IPTU. Ela não está em uma construção irregular ou nessas coisas que a prefeitura se isenta. Mesmo assim, a subprefeitura nem apareceu lá.

Moradores e comerciantes daquela região planejam uma manifestação no próximo sábado (16). Eles exigem providências do poder público em relação aos constantes problemas causados pelas fortes chuvas.

Outro lado

A Subprefeitura da Vila Mariana, responsável pela região de Moema, informou que na sexta-feira (8), após a chuva, enviou equipes de limpeza aos locais atingidos. As equipes permaneceram até a tarde de sábado (9). Nesta semana, a administração regional está analisando a situação na rua Gaivota para elaborar medidas que resolvam os problemas causados pela chuva.

Ainda de acordo com a subprefeitura, a Lei 14.493 de 2007 autoriza a prefeitura a conceder isenção ou devolução do IPTU de imóveis atingidos por enchentes ou alagamentos ocorridos na cidade de São Paulo. A pessoa interessada deverá dar entrada no pedido na subprefeitura do bairro. 

Quem mora ou trabalha na região diz que nunca viu enchente tão forte quanto a do último fim de semana
Quem mora ou trabalha na região diz que nunca viu enchente tão forte quanto a do último fim de semana LUCIANO BERGAMASCHI/FUTURA PRESS

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