PMs acusados de matar jovens em Santo André são condenados a 48 anos de prisão
Os dois policiais vão ter que aguardar presos o julgamento dos recursos
São Paulo|Do R7

Dois policiais militares acusados de assassinar quatro jovens, em abril de 2011, foram condenados a 48 anos de prisão, nesta quinta-feira (22), em Santo André. Eles respondiam por quatro crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificulte ou impossibilite a defesa da vítima e por assegurar a execução, ocultação ou impunidade do crime.
Eles não poderão recorrer em liberdade, conforme decisão da juíza Milena Dias, da Tribunal do Júri.
— Os réus tiveram a prisão preventiva decretada por ocasião do recebimento da denúncia. Responderam o feito inteiro presos, de modo que nenhum sentido faria que agora, condenados pelo Tribunal do Júri por quatro crimes de homicídio duplamente qualificado, crimes gravíssimos, capitulados como hediondo por nossa legislação penal, fossem beneficiados com a liberdade provisória.
O caso
Segundo o Tribubal de Justiça de São Paulo, o crime ocorreu às 3h do dia 22 de abril e foi a primeira chacina registrada no ABC naquele ano. Conforme testemunhas, os dois policiais militares e um terceiro homem chegaram ao local das execuções em dois carros. Eles desceram dos veículos e renderam três vítimas: o cabeleireiro Luís Fernando da Silva Egea, 19 anos, o cobrador de ônibus Fábio Bacilieri, 23 anos, e o estudante Felipe Dias Rodrigues, 16 anos.
As vítimas foram obrigadas a se ajoelhar de costas para um muro com as mãos na cabeça. Em seguida, os três atiradores dispararam várias vezes. Elas não tiveram chance de defesa e foram executadas com tiros de armas calibre .40 (de uso exclusivo da PM) e 380.
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Logo após os assassinatos, os policiais teriam feito mais uma vítima. O desempregado Robert William Rodrigues, 25 anos, tinha acabado de sair da casa da namorada e viu a chacina. Ele tentou correr, mas foi perseguido pelos policiais e baleado nas costas. O corpo dele foi encontrado a 30 metros de distância das outras três vítimas.
No total, foram disparados 22 tiros. As cápsulas deflagradas foram recolhidas e encaminhadas à perícia. As execuções ocorreram nas ruas Quatorze de Junho e Primeiro de Dezembro, no Jardim Santo André.
A polícia declarou na época do crime que nenhum dos quatro jovens assassinados tinha antecedentes criminais. Familiares garantem que eles não tinham inimigos e nem envolvimento com drogas.













