“Polícia não pode usar métodos de cinco décadas atrás”, diz delegado
Para Paulo Barbosa, a polícia tem que acompanhar desenvolvimento
São Paulo|Ana Ignacio, do R7

Com 22 anos de profissão, Paulo Henrique Barbosa - delegado titular do 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo - acompanhou muitas mudanças na Polícia Civil. Hoje, à frente da melhor delegacia do Estado de acordo com pesquisa feita pela Altus Aliança Global, CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) e Instituto Sou da Paz, ele afirma que é preciso estimular essas mudanças.
— Tudo tem que evoluir. Estava todo mundo evoluindo e só a polícia não evoluía? Estava totalmente defasada.
Barbosa passou por diversas delegacias de São Paulo, trabalhou nas seccionais de São Bernardo do Campo e Guarulhos e atuou também no Denarc (Departamento de Narcóticos) e no Deic (Departamento de Investigação sobre Crime Organizado). Assumiu o 16º DP em janeiro de 2011. Para ele, o certificado de melhor delegacia é uma demonstração da importância de se investir em segurança pública. Leia abaixo parte da conversa que o policial teve com a reportagem do R7.
R7 — Que tipo de trabalho a delegacia realizou no último ano para ser considerada a melhor do Estado?
Paulo Henrique Barbora — As delegacias de bairro enfrentavam problemas. Escalas desgastantes, demora no atendimento. Com a criação das centrais de flagrante em junho de 2011 e mudanças nas escalas de trabalho, o dia a dia mudou. Aqui fica só atendimento ao público. Até o final de 2010, você ficava a mercê daquela finalização do trabalho, que é complexo e burocrático, da prisão em flagrante. Sem isso, o ambiente é outro.
R7 — E com isso é possível ganhar agilidade no atendimento ao público?
P.H.B. — Com escalas diferenciadas, não se trabalha mais 12 horas direto e isso deixa os funcionários mais satisfeitos. Isso estimula e a gente consegue atender melhor a população e consegue fazer o trabalho de investigação do bairro. A delegacia tem que atender a comunidade que esta aqui. O básico é o atendimento ao público e a investigação. Do atendimento vem a agilidade. A pessoa é atendida logo, e gosta. É uma resposta da administração pública para as pessoas.
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R7 - As delegacias passaram e receber mais atenção do Poder Público?
P.H.B. — A atenção melhorou. Há dez anos, você não conseguia um colete à prova de balas novo com facilidade porque a administração não olhava muito para isso. Antigamente, não tinha nem papel higiênico nos banheiros. Era um absurdo. A delegacia ficava em uma situação precária. Vemos que está melhorando. Do ultimo ano pra cá, vemos uma melhora principalmente em relação a recursos humanos. Ter gente para trabalhar. Ano passado, tínhamos seis investigadores. Hoje, são 15.
R7 - Essa é uma realidade de todo o Estado?
P.H.B. — Acho que é uma questão nacional e tem que se aprimorar, tem que evoluir. Você não pode ficar usando métodos de cinco décadas atrás. A polícia de hoje não é igual a de 1960. Mudou totalmente. Acho que os governos em geral têm que abrir os olhos. Hoje, não existe mais problema de combustível. Recebi duas viaturas novas recentemente. Essa mudança tem a ver com investimento em segurança pública. Como vamos ter uma delegacia com instalações físicas sempre renovadas? Com investimento. Hoje, temos instalações confortáveis, banheiro para mulher, e isso não tem segredo nenhum. É só você saber usar o dinheiro.
R7 - Depois dessas alterações na Polícia Civil, que mudanças foram percebidas no dia a dia da delegacia?
P.H.B. — Tenho notado que com o choque de gestão as pessoas se aproximam mais da gente. E isso é legal. Essa aproximação com a sociedade. Você não tinha contato com as pessoas antes. Era algo arcaico. A pessoa fazia o boletim de ocorrência, ia para casa e, como a delegacia tinha outras prioridades, o boletim não tinha uma resposta imediata. Tudo tem que evoluir. Estava todo mundo evoluindo e só a polícia não evoluía? Estava totalmente defasada.
R7 - Qual o desafio das delegacias hoje?
P.H.B. — Temos sempre que nos superar. Os recursos humanos estão ai, os materiais estão ai. Então, acho que o que falta é a superação do policial civil. Cada dia que passa, ele tem que se superar no que diz respeito a esses pilares de atendimento ao público, e nosso trabalho de policia judiciária. As ferramentas a gente tem: tecnologia, recursos humanos está tudo a nossa disposição. Agora, é a nossa superação. Temos tudo aqui. Não podemos reclamar de nada.













