Polícia pede mais tempo à Justiça para concluir investigação de acidente no Itaquerão
Nesta sexta-feira, faz um mês que guindaste tombou e causou a morte de dois operários
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

A Polícia Civil vai enviar o inquérito que apura a morte de dois operários da Arena Corinthians à Justiça nesta sexta-feira (27), dia em que o acidente completa um mês, com o pedido de prorrogação do prazo para que ele seja concluído. O delegado Luiz Antônio da Cruz vai aguardar a decisão do juiz para continuar a fase de depoimentos, a partir de 6 de janeiro.
O inquérito já tem quase 200 páginas. A Justiça poderá conceder entre 30 e 60 dias a mais para a conclusão das investigações.
Segundo Cruz, até agora já foram ouvidas mais de 20 pessoas. São desde operários que presenciaram o acidente até pessoas com cargo de chefia nas empresas envolvidas na obra, incluindo a Odebrecht, responsável pela construção do novo estádio.
O mais aguardado pela polícia são os laudos do local e do guindaste que provocou o acidente. O delegado explica que ainda é cedo para apontar eventuais culpados.
— Como é que eu vou falar em responsabilidade sem ter o laudo? Eu preciso da leitura do data logger [espécie de caixa-preta do guindaste]. Então, qualquer falácia agora é especular. O laudo é uma peça de suma importância para esse tipo de crime. [...] Eu preciso ter na mão um laudo conclusivo. Se eu entender que ele não é conclusivo, posso pedir um complemento.
O data logger do guindaste está sendo analisado no laboratório da fabricante do equipamento, a Liebherr, na Alemanha. Quando tiver o resultado das perícias, o delegado vai confrontá-los com os depoimentos para ver se há contradições. Caso haja, ele poderá intimar novamente pessoas que já prestaram depoimento para que esclareçam os pontos necessários.
Outro documento importante que será requisitado pela polícia é o relatório da apuração da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da Odebrecht. Cruz pediu à USP (Universidade de São Paulo) dados sobre as condições climáticas, principalmente do vento, no dia do acidente. No entanto, a universidade não possui essas informações.
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O acidente
No começo da tarde de 27 de novembro, o guindaste que erguia a última das 38 peças de aço da cobertura do estádio tombou e atingiu dois operários. A estrutura pesava 420 toneladas.
O operador do equipamento foi ouvido pela Polícia Civil uma semana após o acidente. José Walter Joaquim, de 56 anos, é funcionário da Locar — dona dos guindastes e contratada pela Odebrecht para a obra. O advogado da empresa disse que ele negou que houve falha humana.
Os engenheiros dizem que há um plano para cada içamento que precisa ser feito e que não foi diferente nesse caso. Solo, vento, peso da peça, entre outros fatores são verificados e aprovados, ou não.
Segundo o delegado, ninguém ouvido até agora apontou um provável motivo para o acidente. Todos os funcionários afirmaram que os procedimentos foram feitos de maneira correta.
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