Polícia prende suspeito de estuprar boliviana que trabalhava como escrava
Em oficina onde aconteceu abuso, 12 estrangeiros eram explorados
São Paulo|Lumi Zúnica, especial para o R7
A Polícia Civil de São Paulo prendeu na tarde do último sábado (23) Jacinto Cruz Quecana, de 38 anos, natural de La Paz, Bolívia. Ele é suspeito de estuprar uma mulher que mantinha em regime de trabalho escravo junto com outros 11 bolivianos.
Gloria Catari Villca, de 21 anos, também natural da Bolívia, morava em um alojamento de Quecana, no Pari, em companhia da irmã, do cunhado, de duas crianças de dois e três anos e de outros sete compatriotas que se dedicavam a confeccionar malhas.
De origem muito humilde e falando pouco português, a moça que chegou ao Brasil dois anos atrás trabalhava 12 horas por dia e recebia entre R$ 5 e R$ 10 por semana, segundo a advogada Patrícia Vega.
Na tarde do último sábado, Melinton, um dos bolivianos que reside no alojamento, acabava de tomar banho quando se dirigia ao dormitório e viu o patrão com a bermuda arriada até os joelhos e deitado sobre Glória, que estava com a saia levantada. Quecana segurava a jovem, que tinha a boca tampada com uma das mãos dele, para que não gritasse. Melinton a socorreu e afastou o agressor, chamando outros “funcionários” que estavam na casa.
A vítima registrou queixa no 8º Distrito Policial (Pari), onde o delegado Benedito Anselmo da Silva Neto autuou Quecana pelo crime de estupro e determinou a prisão dele. Gloria, que afirma que era virgem, foi encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal) para passar por exames de corpo de delito.
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Posteriormente, a advogada da vítima, Patrícia Vega, constatou que além do estupro os bolivianos viviam em regime de similar ao de escravidão, pois tiveram seus documentos retidos pelo dono da oficina e recebiam valores insignificantes para passar o fim de semana.
A defensora encaminhou denúncia ao Ministério Público do Trabalho. O caso será analisado pela promotora Elisabeth Priscila Satake Sato.
Não bastasse o estupro e a situação desumana de trabalho, agora Gloria e os funcionários que testemunharam contra Quecana foram expulsos da casa, não tendo onde morar. Segundo eles, a saída aconteceu depois de terem se negado a assinar um documento apresentado por um advogado do suspeito no qual eles teriam que desmentir a agressão sexual.
Até ontem à tarde, testemunhas afirmam que a oficina continuava funcionando normalmente e que um carro teria levado cortes de tecido em grande quantidade para ser transformadas em malhas e outras peças de vestuário.













