Policiais federais fazem ato por reestruturação da carreira em SP
Está prevista uma paralisação nacional na próxima terça-feira; 50% do efetivo vai trabalhar
São Paulo|Do R7

Policiais federais protestaram em frente à superintendência do órgão em São Paulo para reivindicar melhores condições de trabalho nesta sexta-feira (7). Às 12h, agentes, escrivães e papiloscopistas penduraram as algemas em um painel, em alusão ao jargão “pendurar as chuteiras”, representando a desmotivação dos profissionais.
O "algemaço", como a mobilização foi chamada, é a primeira atividade após ter sido o decretado o estado de greve da categoria, na quarta-feira (5). No dia 11, haverá uma paralisação de 24 horas das atividades.
O presidente do Sindpolf (Sindicato dos Servidores da Polícia Federal em São Paulo), Alexandre Santana Sally, avalia que a falta de investimentos do governo federal faz com que os profissionais trabalhem de forma inadequada.
— É comum a Polícia Militar fazer uma apreensão de droga, mas a Polícia Federal lavra o flagrante por ser competência dela.
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Ele avalia que, se forem avaliadas as operações exclusivas da PF, as estatísticas vão apontar que houve redução de pelo menos 80% das atividades.
Ele destaca que o ambiente interno da PF é formado por profissionais desmotivados.
— A gestão do órgão é ruim. Não se prioriza a meritocracia [atuação baseada no mérito].
Eles reivindicam a reestruturação da carreira com a adequação das funções exercidas pelos agentes.
— Somos um cargo de nível superior, mas nossas atribuições são de nível médio.
Ele cita o exemplo das atividades de interceptação telefônica e análise de dados.
— Isso é extremamente complexo, uma atividade de nível superior, mas que não tem previsão legal. Já fazemos isso há anos."
Na paralisação nacional da próxima terça-feira, segundo o presidente do sindicato, estima-se que 50% do efetivo deva continuar trabalhando para, além de garantir o patamar mínimo de 30%, não interferir nos serviços à população. A mobilização, no entanto, deve se intensificar ao longo do ano.
— Serviços emergenciais não vão ser interrompidos.
— Entre eles, estão as investigações complexas, a escolta de presos e o serviço de imigração.
Procurada, a assessoria da Superintendência da PF em Brasília disse que não vai se pronunciar.













