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Prazo para investigação de denúncia contra professor da UFSCar termina nesta sexta-feira

Ex-aluna da universidade relatou em CPI que suspeito tentou beijá-la à força por duas vezes

São Paulo|Mariana Queen Nwabasili, do R7

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O R7 entrou em contato com o professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) acusado de assédio por sua ex-orientanda de mestrado e doutorado, Thais Santos Moya, 31 anos. Ele não quis conceder entrevista. Porém, colocou-se à disposição para falar após a divulgação das conclusões da Comissão de Averiguação criada em dezembro de 2014 para investigar o caso.

Por telefone, o docente acusado afirmou apenas: “Não posso comentar [o assunto] por orientação jurídica [...] O que eu tinha que falar, já falei para a comissão de averiguação”.


A instância teve 60 dias para elaborar uma conclusão sobre as denúncias. Os resultados devem ser apresentados à reitoria da UFSCar até esta sexta-feira (6).

A assessoria de imprensa da universidade informa que o passo seguinte será entregar o relatório à Coordenadoria de Processos Administrativos Disciplinares, “que, por sua vez, o encaminhará à Procuradoria Federal na UFSCar e à Administração Superior da Universidade”.


“A Instituição só se manifestará após tomar inteira ciência do teor do referido relatório”, reitera texto de resposta encaminhado via mensagem eletrônica.

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Segundo Thais, a Comissão de Averiguação foi criada após posicionamento formal dos alunos da pós-graduação da universidade encaminhado à reitoria sobre o caso.


O grupo é formado por professores da UFSCar e uma professora da USP (Universidade de São Paulo). Thais fala sobre o procedimento.

— Ele [reitor] irá encaminhar a conclusão da comissão à assessoria jurídica da universidade. Se eles acharem que têm que dar prosseguimento às investigações, irão abrir uma sindicância ou um processo administrativo, que é quando já foi identificada materialidade e autoria.

Respostas da universidade

Por meio de nota, a UFSCar diz que “nenhuma instância da Instituição se manifestará enquanto não for concluído tal procedimento de averiguação e encaminhado à Administração Superior da Universidade o relatório da referida comissão”.

Em outra nota publicada no blog da reitoria em dezembro do ano passado, a universidade afirma que “já vem estudando e propondo encaminhamentos relacionados à concretização de espaços e procedimentos que fortaleçam a rede institucional de acolhimento, apoio e atendimento à comunidade universitária no que se refere ao respeito à diferença e à ampla inclusão, bem como à prevenção e combate a quaisquer expressões de preconceito, discriminação e/ou violência”.

“Aproveitamos a ocasião para manifestar que esta Instituição não tolera assédio, discriminação ou violência de qualquer tipo e, ao mesmo tempo, não compactua com condenações públicas de quaisquer pessoas sem a devida averiguação dos fatos e garantia do direito de ampla defesa previsto na Constituição Federal”, diz outro trecho do texto.

Já os docentes do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da instituição publicaram, também no final de 2014, um texto afirmando que professores do programa “vêm sendo caluniados e difamados pelas redes sociais, por uma aluna que partilha de nossa convivência e formação há mais de dez anos”.

Diz a nota divulgada no site do programa: “A UFSCar possui uma Ouvidoria que não recebeu nenhuma reclamação ou denúncia em torno dessa alegação e a aluna também não registrou reclamação ou denúncia na coordenação do Programa. O único documento que o PPGS recebeu foi uma carta de ‘Discentes do Programa’, com trechos de depoimentos dados de forma anônima em pesquisa interna de avaliação do curso”.

Fernanda Martins, advogada que assessora Thais, afirma que a ex-estudante “fez publicações sobre o caso no Facebook, depois de terem se esgotado todas as tentativas de denúncias institucionais à universidade”.

— Estou acompanhando a Thais, porque ela está insegura e porque as denúncias feitas por ela antes não foram levadas a sério. Ela é uma vítima que está sendo transformada em agressora. Os atos de violência que sofreu devem ser apurados.

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