Prima de Marcos Matsunaga chora ao ser questionada se tem medo de Elize
Testemunha disse que filha de acusada, hoje com cinco anos, chama a avó de mãe
São Paulo|Ana Ignacio, do R7

O terceiro dia do júri de Elize Matsunaga,acusada por homicídio doloso triplamente qualificadodo marido Marcos Matsunaga iniciou às 9h30 desta quarta-feira (30). A segunda testemunha a ser ouvida foi Cecilia Yone Nishioka, prima do empresário. Ela falou sobre a vida de luxo que o casal levava (destacando viagens para o exterior, jantares em restaurantes caros e presentes que ela receberia) e destacou que a relação dos dois era "boa" e que Marcos tratava a mulher muito bem.
— Ele sempre foi muito gentil, abria porta do carro, puxava a cadeira pra ela. Eles eram muito unidos, estavam sempre juntos. (...). Ela tinha tudo o que queria, pelo menos no quesito financeiro.
A pedido da testemunha, Elize foi retirada do plenário e não acompanhou o depoimento de Cecilia. "Não quero olhar para ela", disse antes de começar a responder as perguntas do juiz.
Ao ser questionada pelo assistente de acusação se sente medo de Elize, a testemunha disse que sim e se emocionou.
— Se ela foi capaz de fazer isso... Tive crise de pânico, é muito forte lembrar de tudo que ela fez. Ela manipulou todo mundo.
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Cecilia, que começou seu depoimento por volta das 11h, falou sobre a situação da família após o assassinato de Marcos.
— Acho que a criança fez renascer. Minha tia teve um problema no coração, quase morreu. Agora parece que renasceram, estão bem.
A testemunha é madrinha de casamento do casal e da filha, Helena (hoje com cinco anos). Segundo ela, a criança nunca foi levada para visitar Elize na cadeia desde 2012, quando foi detida e levada para Tremembé, e a menina chama a avó de mãe.
Ainda de acordo com o depoimento, o casal gostava de atirar e a prima até chegou a acompanha-los em um estande de tiro em uma ocasião.
— Atirei com eles uma vez. Eles eram muito bons, caçavam juntos.
A acusação tem tentado mostrar que Elize premeditou o crime e assassinou o Marido com um tiro preciso na cabeça praticamente a queima roupa, tese contestada pela defesa.
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No primeiro depoimento do dia, a acusação focou nessa questão da distância do tiro. O policial civil Fabio Luís Ribeiro, que participou das investigações na época do crime, falou por cerca de 1 hora e 20 minutos. O policial deu detalhes dos trabalhos da polícia, do material apreendido no apartamento e do comportamento de Elize durante esses dias. Ribeiro confirmou também que, de acordo com as investigações, o tiro foi efetuado a uma curta distância.
— Foi bem próximo [o tiro] porque existe no ferimento a zona de chamuscamento [que só ocorre em casos de disparos próximos].
Para a defesa, o tiro foi efetuado a cerca de dois metros de distância e Elize agiu movida por forte emoção após uma briga. Além disso, os advogados argumentam que os dois brigavam com frequência e que Elize era constantemente mal tratada pelo marido. Segundo eles, essa imagem de Marcos como um marido exemplar que dava tudo a Elize não é verdadeira.
Nesta quarta-feira ainda devem ser ouvidos três peritos, todos convocados pela acusação. O júri começou na segunda-feira (28) e deve se estender ao longo de toda a semana.
Elize
Com calça preta, blaser cinza e camisa social clara, Elize estava novamente com o cabelo preso para o lado, apoiado no ombro direito. De sapato baixo, fica com as pernas afastadas e logo no início pega um lenço de papel e fica segurando — mas não chega a utilizá-lo. Nos primeiros dias, a acusada se emocionou em diversas vezes ao longo do júri e enxugava as lágrimas com o lenço.
Com olhar baixo e fixo, Elize não esboça reações ao longo da fala do policial civil. Quando a defesa mostra uma planta do apartamento para falar sobre a dinâmica do crime, Elize continua olhando para baixo, sem olhar a imagem da casa exibida no telão do plenário. Ela bebe água algumas vezes e conversa constantemente com os advogados. No segundo depoimento, da prima de Marcos, Elize foi escoltada por policias para fora do plenário.
Elize Matsunaga chora ao sentar no banco dos réus:
Quatro anos depois de ter confessado o assassinato e esquartejamento do próprio marido, o empresário Marcos Matsunaga, Elize Matsunaga sentou-se nesta segunda-feira (28) no banco dos réus. De roupa preta e camisa social, as mãos sobre o colo, coluna er...
Quatro anos depois de ter confessado o assassinato e esquartejamento do próprio marido, o empresário Marcos Matsunaga, Elize Matsunaga sentou-se nesta segunda-feira (28) no banco dos réus. De roupa preta e camisa social, as mãos sobre o colo, coluna ereta, Elize se emocionou antes do início do julgamento. Discretamente, enxugou as lágrimas com um lenço de papel
Jurados
Os sete jurados fizeram perguntas para a primeira testemunha. Após juiz, promotoria e defesa indagarem o policial, os jurados podem enviar, por escrito, dúvidas para a testemunha. Mais de um jurado usou a oportunidade pra questionar sobre questões como a distância do tiro e a posição de Elize no momento em que atirou no marido (se estava de pé, sentada ou deitada). O juiz chegou a chamar atenção dos jurados, de forma um pouco irritada, para que a letra fosse mais clara para facilitar a compreensão na hora de fazer as perguntas para a testemunha.
O júri é formado por quatro mulheres e três homens e todos devem permanecer incomunicáveis durante todos os dias do julgamento e não podem conversar entre si sobre o caso.

























