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R7 passa uma noite no reino de Regino Barros, o “comendador eclético”

De Emicida ao pé-de-moleque da Vovó Lela, de Supla à “SWAT” de Pirituba, conheça a academia que identifica mérito em quase todo mundo

São Paulo|Por Eduardo Marini

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O R7 estava incluído na primeira lista de premiados, a do Prêmio Qualidade Top Brasil, promovida pela Academia Brasileira de Honrarias ao Mérito, dias atrás, em um hotel do bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo.

A academia é, digamos assim, uma entidade. Uma entidade mantenedora do Top Brasil e também de outras premiações honoríficas, entre elas a Soberana Ordem do Mérito Empreendedor Juscelino Kubistchek, fundada em 2002 “para celebrar o centenário desse grande empreendedor”, nas palavras de seu presidente, Regino Barros, o Comendador.


Os dois prêmios foram entregues naquela noite de junho de 2014 — que, como anunciava, prometeu e cumpriu.

Naquela lista de abertura do Top Brasil, fizeram honrada companhia ao nosso R7 (honra, aqui, os nobres amigos verão, é o termo definitivo) e a fábrica de quitutes Vovó Lela, a empresa de segurança System Security World Action Technology, a S.S.W.A.T – isso, a SSWAT, dali de Pirituba, na Maestro Arturo de Angelis...


E também o jornal esportivo Lance!, o Vânio Baterias, a Bradesco Capitalização, a Tapioca da Terrinha, o Grupo Terra, a Cia. Teatral Loucos do Tarô, os aperitivos para cães Petitos.

E mais 32 “reconhecidos, diferenciados, homenageados e divulgados em meio à iniciativa privada pelo comprometimento e a qualidade de suas ações e serviços focados no desenvolvimento sustentável com responsabilidade social”, na explicação exibida no site dos promotores — tudo com muito foco, claro.


Da poesia do pé-de-moleque e da goiabada cascão da Vovó Lela ao impacto do guatambu high tech do cassetete da S.S.W.A.T da Z.N, foram 42 os diferentes “diferenciados”.

Mas o Top Brasil, claro, ainda não era tudo naquela noite após um dia de engarrafamento infernal na cidade que, por pouco, não empurrou o vai e vem de troféus, diplomas e medalhas para um pedaço da madrugada.


Acariciados os 42 Tops, era chegada, enfim, a hora dos soberanos ganhadores da Ordem JK: os humoristas Paulo Bonfá e Márvio Lúcio “Carioca”, Rubens Augusto Jr., a autora de novelas Íris Abravanel, Celso Abrahão, Larissa Abrahão, Ivaldo Prado, Raimundo Nonato, Maria Rosas, o ídolo eterno do Palmeiras Evair, Marco Antonio Braz, a atriz Denise Del Vecchio, o rapper Emicida, a Cervejaria Cerpa, o cantor Supla, os Doces Falex e a Cia. dos Espetinhos.

Veja imagens do evento aqui.

Ao microfone, o comendador lidera a noite. Tratado de comendador por todos os seus pares, Barros preside a academia e o identificado guarda-chuva que abriga todas essas ações, o Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo, o Cicesp.

No site da entidade, comendador inicia sua apresentação assim:

— É com extremo carinho e orgulho que dedico estas páginas, ao puro e nobre sentimento “A amizade”, sem dúvida foi o soprar desse aconchegante vento que permitiu a árdua travessia que separa o sonho da realidade, foi uma longa jornada repleta de momentos em que as forças das águas contrárias insistiam em colocar em prova o limite da resistência de um ideal. Na “Nau” dos meus sonhos embarcou a mais heterogênia tripulação que se fazia necessário constituir para que iniciásse-mos nossa jornada.

E conclui assim:

— Esta rica experiência me fez ter a convicção de que quando perdemos o aço da dignidade, a última fronteira da resistência é a carne da amizade. E assim nasceu o CICESP - Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo, entidade que encontra na amizade a sua essência e na conquista dos seus sonhos a razão da existência. Minha gratidão a todos os meus amigos, amigos de sangue, amigos de luta, amigos de sonho, amigos de solidariedade, amigos do amanhã. Esta é a minha Grande-família.

Pela ampla variedade de perfis de pessoas físicas e jurídicas premiadas e agraciadas, das grandes e famosas às emergentes e nem tanto, é fácil concluir: comendador é um homem bom de serviço, daqueles que, por assim dizer, agregam valor, para usar outro termo ouvido à mão cheia naquela noite. E, no mínimo, eclético.

Poucos minutos antes, na entrega do Top Brasil, pegou de gentil surpresa um dos jornalistas chamados ao palco para “passar uma mensagem em nome do setor”. Nada muito preocupante não fosse o profissional novamente “premiado” este que vos fala, representante da diretoria geral do R7 na premiação daquela noite. Após os primeiros agradecimentos pelo reconhecimento da trajetória meteórica e vitoriosa do portal, a saia foi ficando frouxa e a sequência de frases rápidas e simpáticas finalmente encontrou bom pouso.

Lubrificada por doces, salgados e bebidas doada por algumas das empresas homenageada, a festa seguia em frente.

Sentado ao meu lado, o bem humorado diretor de uma das empresas condecoradas com a ordem, também fornecedora de bebida para a festa, conta, com a condição de não ter o nome revelado, não ter havido qualquer exigência de pagamento para fazer parte da homenagem. “Demos brindes para a recepção porque achamos simpático, de bom tom. Não nos foi exigido dinheiro. E se ocorresse isso não pagaríamos: nossos concorrentes são gigantes, podem fazer. A gente, não”. Melhor assim.

Antes de iniciar a chamada dos agraciados, comendador Barros descreve a composição da medalha JK:

— Trata-se de uma peça cunhada em metal nobre banhado a ouro e cravejado de 25 pontos de rubi e cinco de esmeralda. Além disso, há um diploma maravilhoso, em couro de cabra caligrafado artesanalmente e revestido por uma fina cobertura de tecido aveludado, um fino estojo de luxo e a faixa em verde e amarelo. Os tecidos são da mesma fábrica que fornece material para a Casa Branca.

Barros chama Íris Abravanel. A mulher de Silvio Santos não está. Sua representante recebe apenas o diploma. Barros explica: “a medalha é pessoal e intransferível. Apenas o agraciado pode recebê-la”.

A noite anda.

Emicida recebe a homenagem com educação.

Um mais, outro mais...

Carioca pega a sua medalha, manda algumas piadas, pede desculpas e sai rapidamente “para continuar a trabalhar”.

Um mais...

A atriz Denise Del Vecchio dedica a comenda ao colega José Wilker, morto semanas antes.

Outro mais...

Evair ouve do comendador são-paulino o lamento por não tê-lo visto arrebentar no time do Morumbi.

Um mais...

Paulo Bonfá chega atrasado e faz o mesmo que Carioca.

Outro mais...

Cabelos loiros espigados de sempre, capacete da moto na mão, Supla entra no salão e senta ao lado do músico contratado para a noite. O rapaz acerta o rabo de cavalo e diminui o volume do som de seu violão para amenizar o efeito da soberba microfonia que invade a sala junto com o filho de Eduardo e Marta Suplicy.

Supla pega a medalha, abraça Barros fortemente e manda com sinceridade:

— Mais uma para a minha coleção.

Não chega a voltar para a cadeira ao lado do violonista de ponytale. Alega necessidade de voltar a trabalhar e puxa o carro – melhor: a moto.

Onze da noite. Os resistentes descobrem que a Cantina do Bacco e o restaurante oriental Okone levam a Soberana Ordem do Mérito da Gastronomia. O Google no celular haverá de contribuir para a localização exata.

O grande final se aproxima: Barros chama a mãe e a irmã do ex-líder da Legião Urbana Renato Russo, Carminha Manfredini e Carmem Teresa, anuncia o lançamento da Soberana Ordem da Música com o nome do cantor e entrega à dupla as primeiras medalhas da nova comenda.

Palmas abafam soluços de mãe e irmã, que agradecem a generosidade “do amigo inigualável” enquanto esticam lágrimas no rosto com as mãos.

Amigo inigualável, bom de serviço e eclético.

A maratona das honrarias cruza a linha final.

É hora de água mineral, salgadinhos, bebidas doadas pelo diretor, docinhos da Vovó Lela, caneta dos motoboys, da Link Moto...

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