Racionamento deveria vir antes do uso de volume morto
Adoção do sistema de rodízio deve ter um impacto negativo sobre o resultado da companhia
São Paulo|Do R7
Do ponto de vista técnico, a adoção de um racionamento de água na Grande São Paulo deveria ser anterior ao uso do volume morto (abaixo dos níveis mínimos operacionais) do Sistema Cantareira, avaliam especialistas em saneamento. O tempo e o custo das obras para a exploração da reserva adicional de 400 milhões de metros cúbicos (m3) tornam o racionamento uma medida tecnicamente mais simples para enfrentar a atual crise dos níveis de armazenamento de água nos reservatórios do principal sistema de abastecimento da Sabesp.
Segundo o presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), Alceu Guérios Bittencourt, a companhia pode adotar uma nova tática.
— Em condições normais, o racionamento ou rodízio do sistema de abastecimento é uma iniciativa anterior a essa (utilização do volume morto), o que significa que pode estar sendo pensada uma sequência de ações por parte da companhia.
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Para o coordenador de projetos do Consórcio PCJ (entidade que representa as demais cidades e empresas que dividem a outorga do Sistema Cantareira com a Sabesp), José Cezar Saad, ambas as medidas são emergenciais, mas considerando apenas o cenário técnico, o racionamento estaria em primeiro lugar.
Saad, no entanto, destaca a impopularidade de um eventual do rodízio no abastecimento.
— O que é muito preocupante é que o racionamento é uma medida antipática e estamos em período eleitoral. A estiagem vai entrar da pauta de discussão dos candidatos e o governo está fazendo o possível para evitar (o racionamento).
Quando perguntado se ainda poderia descartar a possibilidade de racionamento, nesta terça-feira (25). o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que um eventual rodízio de água na capital "é uma decisão técnica que está sendo monitorada dia a dia pela Sabesp. Nós vamos decidir mais para frente".
Impacto no resultado
Além da sensibilidade política, a possibilidade de um racionamento pode pesar sobre o desempenho financeiro da Sabesp. A adoção de um sistema de rodízio deve, segundo analistas, ter um impacto negativo sobre o resultado da companhia superior ao estimado para o programa de descontos de até 30% nas tarifas dos consumidores que reduzirem o consumo em 20%.
Segundo o analista do banco Safra, Sérgio Tamashiro, na ocasião de um racionamento, "os resultados do primeiro trimestre podem ser severamente afetados". Nesta segunda-feira (24), o índice que mede o volume de água armazenado no Sistema Cantareira caiu para 16,9% da capacidade total dos reservatórios, pior nível já registrado.















