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Segundo dia de júri da chacina de Osasco é marcado por choro

Réus ficaram ausente do plenário em todo julgamento nesta terça-feira

São Paulo|Peu Araújo, do R7

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O segundo dia do julgamento da chacina de Osasco teve como tônica o choro de três testemunhas e dos irmãos Fernando e Evandro Capano, advogados responsáveis pela defesa do policial militar Thiago Barbosa Henklain.

Ao todo foram ouvidas nove testemunhas, oito de acusação é uma da defesa, entre elas, familiares das vítimas, a irmã do policial militar Fabricio Emmanuel Eleutério, duas pessoas com a identidade preservada e um sobrevivente que estava no Bar do Juvenal, na rua Antônio Benedito Ferreira, em Osasco — divisa com o município de Barueri — às 20h51.


Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luiz de Paula, um dos oito mortos no Bar do Juvenal, se emocionou ao lembrar do filho. Ela comenta ainda que ouviu os disparos, mas não acreditou que eram tiros. "Pensei que fossem fogos", diz.

Ao indagar a testemunha, o advogado Fernando Capano ficou com a voz embargada. Na sequência, o irmão Evandro Capano repetiu a cena, e com voz de choro começou seu questionamento, mencionando até o próprio filho.


A testemunha seguinte foi Gilberto Gonçalves da Silva, pai da jovem de 15 anos Leticia Hildebrand da Silva, morta na rua Suzano, em Osasco. Além dela, uma mulher foi baleada e a testemunha protegida Elias, que foi a primeira a depôr nesta terça-feira.

Novamente o advogado Evandro Capano se emocionou ao questionar a testemunha.


Ao ser perguntado sobre uma possível encenação, Capano foi categórico. 

— Em hipótese alguma.


Segundo a defesa de Eleutério, a testemunha protegida 798 contradisse o depoimento da testemunha Elias. Ela afirma que a pessoa baleada onde estaria Elias seria um jovem, de até 17 anos, branco, características muito distintas da testemunha Elias.

O advogado Nilton Nunes afirma que "os jurados que vão decidir a quem eles dão credibilidade", e acrescenta: "Eu não sei de que forma esse Elias apareceu. Eu não trabalho com convicções, eu trabalho com provas".

Opinião diferente tem o promotor do MP (Ministério Público) Marcelo Alexandre de Oliveira, que afirma que Elias não foi uma testemunha que prejudique a acusação, e também afirma que a defesa gira em torno do choro.

— Hoje foi um dia diferente de ontem, porque teve muito mais comoção.

O promotor faz duras críticas ao choro dos advogados e do PM Fabrício Eleutério.

— É óbvio que é um teatro, os destinatários não são vocês (jornalistas), são os jurados. Eles querem sensibilizar os jurados. O Fabricio, nos debates, vai ser desmascarado, infelizmente. Nós vamos mostrar que durante toda a colheita da prova judicial ele deu muita risada. Foi só hoje e ontem que ele chorava.

Ausentes durante os demais depoimentos, os réus só apareceram nos bancos do tribunal somente diante da nona testemunha do dia, a irmã do PM Eleutério, que também se emocionou diante da juíza.

Primeiro dia

O julgamento do GCM (Guarda Civil Municipal) de Barueri Sergio Manhanhã e dos policiais militares Fabricio Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain começou nesta segunda-feira (18) com três horas de atraso por causa de uma testemunha. Depuseram diante do juri o capitão Rodrigo Elias da Silva, da Corregedoria da PM e José Mario de Lara, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa — da Polícia Civil). Ambos afirmaram que o PM Fabricio Eleuterio depôs durante as investigações e, com isso atrapalhou, o inquérito da Polícia Civil.

Ele teria revelado nomes de policiais e locais de crime para desviar o foco da investigação. Eleutério apontou um estande de tiro e houve um mandado de busca e apreensão de centenas de munições no local.

No seu primeiro dia, o julgamento acabou pontualmente às 20h30 com mais 24 testemunhas a serem ouvidas até a conclusão do caso. Quatro homens e três mulheres compõem o Conselho de Sentença que decidirá o futuro dos réus.

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