Segundo julgamento do Massacre do Carandiru começa amanhã em SP
PMs vão a júri acusados de matar 73 presos em pavimento com mais mortes
São Paulo|Do R7

Começa, nesta segunda-feira (29), o segundo julgamento do Massacre do Carandiru, conhecido como o episódio mais violento do sistema prisional brasileiro. Segundo o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), 27 policiais militares serão levados ao plenário e responderão por homicídio qualificado de 73 presos no terceiro pavimento do Pavilhão 9 da antiga casa de detenção. As mortes ocorreram durante a ação policial realizada no dia 2 de outubro de 1992 para conter uma rebelião. Ao todo, 111 presos foram mortos.
Os PMs que vão a júri popular nesta segunda-feira atuaram no pavimento onde ocorreu a maior parte dos homicídios. O número total, segundo as investigações, foi de 78 detentos. No entanto, cinco deles foram mortos por um coronel do Batalhão de Choque, e, por isso, ele será julgado separadamente.
O julgamento está programado para começar às 9h, no plenário 10 do Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Inicialmente, 28 PMs deveriam ser julgados, mas um morreu. A defesa dos réus ficará, novamente, sob a responsabilidade da advogada Ieda Ribeiro de Souza. A acusação será feita pelo promotor de Justiça Fernando Pereira Filho.
Relembre a história do complexo penitenciário do Carandiru
Leia mais notícias em São Paulo
O juiz responsável pelo julgamento, desta vez, será Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo. O juiz José Augusto Nardy Marzagão, que atuou no primeiro júri, foi removido, a seu pedido, para a Comarca de Atibaia.
Serão ouvidas 17 testemunhas ao todo: 11 da acusação e seis da defesa. Destas, cinco (três da promotoria e duas da defesa) terão seus depoimentos - gravados em vídeo - exibidos no plenário. Sete pessoas serão sorteadas para compor os jurados.
"Não existe punição para sociedade que viola direitos de um homem", diz sobrevivente do Carandiru
Relembre o caso
O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no Pavilhão 9. Com a confusão, a Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.
Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio.
Após Carandiru, massacre continua atrás dos muros das prisões, diz Pastoral Carcerária
Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a grande maioria dos policiais militares foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o conselho de sentença.
Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, no regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.
"Ainda vejo o Carandiru lá", diz ex-chacrete musa dos detentos
Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.
Assista ao vídeo:













