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Sem-teto da Copa do Povo podem ficar de fora das moradias populares

Líder da ocupação, que reúne 7.000 pessoas, descobriu que é preciso aguardar fila

São Paulo|Do R7

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Acampamento tem cozinha e banheiros comunitários
Acampamento tem cozinha e banheiros comunitários

Coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), capaz de mobilizar 7.000 pessoas em menos de 24 horas para parar a cidade, Guilherme Boulos, de 32 anos, sofreu um revés de última hora na sexta-feira (27), em sua tentativa de se tornar o herói da ocupação Copa do Povo.

Depois de colocar contra a parede as principais autoridades do País para conseguir moradias destinadas às 3.000 pessoas que ocupam o terreno, Boulos foi surpreendido ao constatar que os contemplados com imóveis do Minha Casa Minha Vida deverão estar na fila do cadastro habitacional da Prefeitura.

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Na prática, as moradias populares serão erguidas no terreno particular de Itaquera, mas não existe nenhuma garantia de que as famílias da ocupação serão as beneficiadas. Por orientação do Ministério Público Estadual, a Câmara Municipal e a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) não podiam fazer no texto do projeto do vereador Police Neto (PSD) um direcionamento das moradias para os filiados do MTST — sob o risco de ver a lei anulada pela Justiça a médio prazo.

No momento em que percebeu a falta de garantia para as famílias da ocupação, na tarde desta sexta-feira, Boulos ficou visivelmente transtornado. O líder dos sem-teto chegou a bater boca de forma ríspida com o líder da bancada do PT e com outros parlamentares no meio da audiência pública para discutir as mudanças.

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"Isso aqui não resolve nada para nós", disparou o coordenador do MTST. Em seguida, os vereadores aceitaram ceder e incluir uma emenda que permite a viabilização das moradias via parceria entre o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, e entidades de moradia paulistas.

Mas, apesar de aceitar a mudança, Boulos não poderá garantir às famílias que estão no terreno que serão elas as futuras moradoras da área. Nem garantir que será o MTST que vai construir e gerenciar os futuros conjuntos.

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"É errado fazer qualquer direcionamento. Não podemos juridicamente fazer isso. O MP tá de olho grande em cima de nós", disse Alfredinho (PT).

Agora restará a Boulos tentar manobras junto ao governo federal e na Prefeitura para tentar colocar o MTST como parceiro do Minha Casa Minha Vida na construção dos 2.800 apartamentos previstos para o terreno da Copa do Povo.

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