Sobrevivente de massacre: 'Achei que eram crianças com bombinhas'
Sem acreditar no que aconteceu, Ludar Brognoni, de 64 anos, foi atingido no ombro e na mão pelos disparos de Euler Grandolpho na terça-feira (11)
São Paulo|Da RecordTV

O engenheiro civil Ludar Brognoni, 64 anos, tinha que resolver questões pessoais na tarde de terça-feira (11), próximo à Catedral de Campinas, a 99 km de São Paulo. Apesar de um dia comum, ele não sabia que seria hoje um dos sobreviventes do massacre da Catedral de Campinas, em que cinco pessoas morreram.
Seu compromisso começava apenas às 14h da tarde, mas seu relógio marcava pouco mais das 13h e ele já havia almoçado. Decidiu passar na catedral para fazer suas preces, agradecendo o finalzinho de 2018. Brognoni é conhecido de longa data da igreja — ele foi crismado lá e costuma frequentar o local.
Aquele dia não foi diferente. Com o tempo livre que tinha, entrou pela porta do lado esquerdo e foi até o "terceiro ou quarto banco" do corredor central para sentar-se. Brognoni ajoelhou-se e ficou orando nesta posição por cerca de 10 minutos.
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Após agradecer a tudo, levantou-se e sentou-se novamente no banco. Sem pressa, já que seu compromisso começaria apenas meia hora depois.
“Foi nesse instante eu ouvi dois estalos. Pá! Pá! Achei que fossem crianças com bombinhas na igreja. Mas não era. Era ele, que começou a atirar nas pessoas que estavam ao seu redor”, conta Brogoni, em entrevista à RecordTV.
A cerca de seis metros de distância de Euler, o atirador, Brogoni sentiu o desespero. O engenheiro só conseguia pensar que próximos ao atirador estavam cerca de quatro pessoas, e assim que elas fossem alvejadas, o atirador mudaria de alvo, viraria para o seu lado.
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“Aí eu olhei para o lado e ainda faltava um banco inteiro para chegar no corredor e sair em fuga até a entrada principal da igreja”, relembra. Ele não perdeu tempo e saiu correndo.
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Mas outro homem, que estava sentado à sua frente, teve a mesma ideia. Os dois se encontraram com tudo no corredor e caíram no chão. Enquanto caía, Brognoni ouviu outros disparos: Euler tinha acabado de atirar nas primeiras vítimas e virou-se para o outro lado.
“Eu não senti nada de dor. Mas ao levantar senti minha mão quente e já com o sangue escorrendo”, diz. Brognoni imaginou que tivesse se machucado em algum banco na hora da confusão, mas não imaginava que tivesse sido atingido por um tiro.
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Os disparos atravessaram Brognoni, nenhuma bala havia ficado em seu corpo. “Eu corri para sair dali e só lá fora fui descobrir que tinha um tiro na mão e um outro aqui no ombro. Foi lá fora que eu fui ver a gravidade da situação.”
Ele acredita que tenha sido atingido pela mesma bala e durante a queda. “Imagino que ela tenha furado meu ombro, passado perto do meu rosto, porque eu ouvi um chiado, e depois passado aqui, furando minha mão e minha carteira que eu estava segurando.”
“Mas eu estou muito bem. Eu vivi de novo, agora tenho uma outra data de nascimento. Tenho muita gratidão por ter sido protegido como fui”, agradece.
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