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SP: ex-marido vai a júri popular acusado de matar enfermeira

Ismael Praxedes, responsável por matar a tiros Fernanda Sante Limeira, de 35 anos, em 2016, será julgado nesta quinta (20)

São Paulo|Do R7

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Vítima foi assassinada em frente à UBS República
Vítima foi assassinada em frente à UBS República

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) marcou para esta quinta-feira (20), o júri popular de Ismael dos Santos Praxedes, acusado de matar a tiros a ex-mulher e enfermeira Fernanda Sante Limeira, de 35 anos, em 2016. A vítima foi assassinada em frente à UBS (Unidade Básica de Saúde) República, no centro de São Paulo, onde trabalhava, após ter pedido de medida protetiva negado.

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A defesa do réu entrou com pedido para adiar o julgamento, sob alegação de que nem todas as diligências foram incluídas nos autos até o momento. Caso o pedido não seja acatado, o julgamento será presidido pelo juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri da Capital, no Fórum da Barra Funda, na zona oeste, a partir das 13 horas.

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No Tribunal do Júri, cabe ao Conselho de Sentença, formado por sete pessoas comuns, decidir se Praxedes é culpado ou inocente da acusação de homicídio qualificado, oferecida pelo MPE-SP (Ministério Público de São Paulo). Por causa das medidas preventivas contra a covid-19, o julgamento não poderá ser acompanhado pelo público. Os assentos do plenário, normalmente ocupados pela plateia, serão usados pelos jurados para manter o distanciamento social.

Caso

Fernanda foi assassinada na manhã de 22 de julho de 2016. Segundo a investigação da Polícia Civil, ela e Praxedes disputavam a guarda da filha, e o réu não aceitava a separação. Menos de dois meses antes de Fernanda ser morta, a Justiça negou pedido de medida protetiva. A vítima se queixava de sofrer ameaças e agressões do ex-marido.

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Praxedes foi detido em flagrante e permanece preso provisoriamente até hoje. Por orientação da defesa, manteve-se em silêncio durante interrogatório, mas a expectativa é de que ele apresente sua versão sobre os fatos durante o júri.

Na ação, o réu foi reconhecido por ao menos duas testemunhas como o autor do crime. Uma colega de Fernanda relatou que, no dia do assassinato, estava com a enfermeira em uma padaria, aguardando o horário de entrada do trabalho, e percebeu que havia um rapaz de capuz olhando para elas. Quando estavam atravessando a rua, Praxedes teria se aproximado e efetuado um disparo. Já com a vítima caída, à porta da UBS, ele teria se inclinado e atirado mais vezes.

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Outra testemunha afirmou que havia acabado de descer de um ônibus quando ouviu três ou quatro disparos de arma de fogo. Ao olhar para trás, teria visto Praxedes correndo e guardando a arma dentro da mochila.

Em seguida, o réu teria corrido para o Metrô, onde foi revistado e detido por policiais militares. À Justiça, um dos PMs declarou ter encontrado a arma na mochila de Praxedes. Ao questioná-lo sobre o motivo do crime, ele teria dito que eram "problemas conjugais".

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Para a promotoria, a dinâmica do crime indica que o réu se valeu de recurso que impossibilitou defesa da vítima. A outra qualificadora é motivo torpe, por suposta vingança após a separação.

Por sua vez, o outro PM envolvido no flagrante afirmou na delegacia motivo diferente. Segundo a testemunha, Praxedes alegou que a filha era violentada pelo padrasto, o namorado de Fernanda - o que, na visão do MPE-SP, não teria sido provado ao longo do processo. A hipótese de "legítima defesa de terceiros", no entanto, deve ser a principal tese explorada pela defesa do acusado no júri.

"O que motivou ele a cometer essa loucura foi o descaso da mãe em relação aos abusos sofridos pela filha", afirma a advogada Alessandra Jirardi, representante do réu. Para sustentar a versão, a defensora diz haver ofícios endereçados ao Conselho Tutelar e boletins de ocorrência.

Na última sexta-feira (14), a advogada solicitou adiamento da data do júri. Segundo o pedido, sete CDs, imagens e áudios, incluídos pela defesa, estão sem degravação - ou seja, não foram transcritos nos autos. Também faltaria juntar diligências autorizadas pela Justiça. A defesa argumenta, ainda, não conseguir acessar o link de uma perícia realizada.

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