SP: Vídeo gravado por PM expõe imagem de adolescente de Sumaré
Gravação mostra estudante que teria feito ameaças a alunos de escola recebendo orientações de um policial militar ao lado de parentes
São Paulo|Cesar Sacheto, do R7

Um vídeo gravado por um policial militar expôs um adolescente, de 17 anos, que havia postado supostas ameaças na internet direcionadas a outros alunos da Escola Estadual João Franchescini, onde estuda, em Sumaré, no interior de São Paulo.
Nas imagens, registradas no último dia 18 de março, o PM que aparece na companhia do pai e do avô do garoto disse que conversou com o menino e que ele entendeu a gravidade de brincadeiras postadas nas redes sociais. O policial afirmou que não havia necessidade da adoção de medidas contra o menor e, com o aval da direção da escola, deu o caso por encerrado.
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Na gravação, o policial identifica o pai e o avô do adolescente, que está ao lado. O agente público classifica a família como "pessoas íntegras, que se envolveram em uma brincadeira de adolescente".
O PM avaliou que o garoto cometeu um erro ao publicar insinuações sobre um atentado ou ataque a alunos da escola onde estuda e classificou o episódio como uma brincadeira.
"Na verdade, é um mal-entendido. É um adolescente que tem o direito de errar, como nós erramos a vida toda. Está redimido do seu erro. Nós da Polícia Militar, da Ronda Escolar de Sumaré, procuramos a família para poder, juntamente com a direção da escola, desfazer esse mal-entendido e preservar a integridade de todos. Vamos esquecer e bola para a frente. Vida que anda", complementou o policial, que não se identificou na gravação.
Para o advogado especialista em direitos humanos, segurança pública e em direitos da infância e juventude Ariel de Castro Alves, a atitude do policial militar feriu artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente que regulamentam questões sobre a exposição da imagem e possível constrangimento de menores.
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O conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo) ponderou que a medida tomada pelo policial militar pode ser relevada por ter o objetivo de orientar o jovem, mas foi excessiva.
"O policial até tentou fazer um papel de orientação e mediação de conflitos diante da falta de serviços públicos que deveriam fazer esse papel, mas se excedeu expondo o jovem e colocando o em situação constrangedora e em risco à sua integridade e vida diante da repercussão em redes sociais", avaliou Ariel de Castro Alves.
O advogado ressaltou que, após a tragédia em Suzano, muitos jovens tentaram obter fama nas redes sociais com ameaças de possíveis ataques.
Desta forma, segundo o representante do Condepe, caberia às polícias Civil e Militar), junto com os conselhos tutelares, promotorias e varas da infância e juventude, verificar a gravidade dos casos e encaminhar os jovens a programas de apoio e orientação.
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"O problema é que não existem programas para esse tipo de atuação, já que São Paulo não tem delegacias especializadas da criança e do adolescente com psicólogos e assistentes sociais, como existem em outros Estados", complementou Ariel de Castro Alves.
Outro lado
A Polícia Militar foi procurada pelo R7 para esclarecer qual o objetivo do vídeo e a exposição do adolescente. No entanto, não houve resposta por parte da corporação até o momento da publicação da reportagem.
Neste sábado (23), a corporação enviou uma nota na qual esclarece que vai apurar todas as circunstâncias da gravação do vídeo no caso de Sumaré.
O texto diz que, segundo informações preliminares, o policial militar da Ronda Escolar foi chamado pedido do diretor da unidade de ensino e informado que um aluno teria publicado ameaças contra a escola em uma rede social.
O policial foi até a casa do menor e os pais do garoto disseram que se tratava apenas de uma brincadeira. Ainda segundo a família do adolescente, ele estaria sendo ameaçado devido às mensagens. As partes foram conduzidas ao 1º DP de Sumaré, onde foram registrados boletins de ameaça.
Então, a pedido dos próprios pais, o PM gravou um vídeo para explicar que a situação se tratava apenas de um mal-entendido, buscando minimizar as ameaças contra o menor.
Posicionamento da escola
A Secretaria de Estado da Educação também foi questionada pelo portal sobre as supostas ameaças feitas pelo estudante, a possível repercussão entre outros alunos, além de pais e familiares. Também foi perguntado se o acordo entre o policial militar e a direção da escola foi efetivamente firmado.
Entretanto, a assessoria de imprensa do órgão estadual não enviou uma resposta até o fechamento desta matéria.
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