Suspeitos de matar dentista queimada são investigados por mais oito crimes
Estabelecimentos escolhidos pelo grupo eram quase sempre clínicas comandadas por mulheres
São Paulo|Filippo Cecílio, do R7

O grupo suspeito de atear fogo e matar a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza durante um assalto na manhã de quinta-feira (25), em São Bernardo do Campo, está sendo investigado por participação em mais oito crimes.
De acordo com a polícia, foi identificado o mesmo modus operandi em outras ocorrências ainda não resolvidas. Os locais escolhidos para assalto era quase sempre consultórios comandados por mulheres. Somente em uma oportunidade o local do crime foi uma casa.
De acordo com testemunhas ouvidas pela polícia, em todos os casos foi utilizado o mesmo veículo, um Audi preto, e o mesmo tipo de arma, uma Taurus .380 cromada, modelo apreendido com os suspeitos na madrugada de sábado (27).
A delegada Elisabete Sato, diretora do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa), contou que, para planejar os assaltos, um dos membros do grupo se fingia de paciente no consultório, para "filmar o local", isto é, observar a movimentação de pessoas e verificar se havia algum sistema de segurança no estabelecimento.
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A polícia citou como crimes possivelmente cometidos pelo grupo um assalto em uma clínica dentária no dia 12 de abril, em Diadema, e outro — também em um consultório odontológico — no dia 16 do mesmo mês, no bairro do Ipiranga, capital paulista.
Um dos indícios que as autoridades têm para acusar o grupo é uma ficha cadastral que Vitor Miguel Souza, 24 anos, considerado o "cabeça" da morte de Cinthya e detido pela polícia, fez em um desses consultórios. Na ocasião, o grupo também usou álcool e fogo para amedrontar um casal de dentistas e chegou a queimar o cabelo da mulher.
Segundo o delegado geral da Polícia Civil Luiz Maurício Blazek, o método era a forma que a quadrilha usava para ameaçar as vítimas de seus crimes. Enquanto um membro do grupo fazia as vítimas de refém, outros saíam com os cartões das vítimas para sacar dinheiro.
Confissão
Os três suspeitos de atear fogo e matar a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza confessaram neste sábado a autoria do crime, informou Blazek.
A prisão aconteceu na madrugada de sábado (27) em Diadema. Há um menor entre os detidos e um quarto membro da quadrilha, reconhecido como Tiago de Jesus Pereira, que ainda está foragido.
O crime
A dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos, foi queimada viva durante um assalto dentro de seu consultório, na rua Copacabana, bairro do Jardim Anchieta, em São Bernardo do Campo. De acordo com a Polícia Militar, Cinthya atendia uma paciente — cujo nome não foi divulgado — quando criminosos apertaram a campainha. Um dos bandidos disse que precisava de atendimento odontológico e a dentista abriu o portão. Logo, mais dois invadiram a casa. A paciente ficou com os olhos vendados durante toda a ação e teve a bolsa, o celular e dinheiro roubados.
Cinthya disse que estava com pouco dinheiro, mas forneceu o cartão do banco e a senha. Os criminosos sacaram R$ 30 da conta da dentista em um banco próximo ao local do crime.
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Segundo a paciente, única testemunha do crime, por volta das 12h30, a dentista começou a passar mal e, um dos bandidos, que aparentava ser menor de idade, resolveu encharcá-la com álcool para assustá-la. Segundo informações da polícia, eles queimaram a vítima por não terem conseguido levar mais dinheiro.
De acordo com o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, a paciente — que não ficou ferida — conseguia ouvir a dentista gritando "não faz isso" e pedindo socorro.
— Ela tentou apagar o fogo quando os bandidos fugiram, mas não foi possível. A dentista morreu em menos de três minutos.













