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Tenente-coronel vira alvo da Promotoria: “Ele transformou o plenário em um talk show”

Salvador Madia foi o principal alvo de algumas indagações irônicas durante júri

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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O depoimento do tenente-coronel da Polícia Militar, Salvador Modesto Madia, que durou seis horas na última quinta-feira (1), acabou gerando uma reação no promotor Fernando Pereira durante o quinto dia do segundo julgamento sobre o massacre do Carandiru, em outubro de 1992.

Entre acusações e ironias, o acusador destacou que Madia, também ex-comandante da Rota, transformou o plenário em um talk show.


— O coronel Madia fez ontem aqui um discurso político aqui. Ele falou sobre a vida dele, sobre alguns casos. Parecia mais um talk show de televisão.

Mais cedo, durante a explanação da acusação, na manhã desta sexta-feira (2) no Fórum Criminal da Barra Funda, Pereira voltou a carga sobre Madia, dizendo que de maneira irônica que conhece a data que a versão dos policiais para a morte de 52 presos no terceiro pavimento da Casa de Detenção começou a ser montada: 27 de setembro de 2012.


— Foi nessa data que foi marcado essa fase do julgamento do massacre. Coincidentemente, o coronel Madia deixou o comando da Rota justamente nesse dia. Desde então, eles comentaram a montar essa versão apresentada aqui.

Sentado em uma cadeira ao lado dos demais réus, Madia manteve a feição séria durante praticamente todo o tempo, dando alguns sorrisos sarcásticos em outros momentos, ao lado de outro tenente-coronel, Valter Alves de Mendonça.


Acusação fala em julgamento histórico

“A Rota não entrou para conter, entrou para matar”, diz promotor


O comando da Rota, da qual ambos fizeram parte, não foi esquecido pelo promotor. Em um documento de 1º de agosto de 1992, dois meses antes do massacre do Carandiru, a PM definia as atribuições da Rota em caso de rebelião do presídio: a corporação só entraria e interviria em um caso de exceção, o que, de acordo com a acusação, não aconteceu, dando lugar a uma violência unilateral por parte dos policiais.

— Eles dizem que a tropa tinha experiência, mas os autos revelam que quase nenhum deles já havia estado na Casa de Detenção, tampouco atuado em uma rebelião naquela prisão.

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